A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra o cantor Alexandre Pires em uma nova etapa da operação Disco de Ouro. Ele é investigado por suspeita de integrar uma organização criminosa que movimentaria recursos obtidos com a extração e a venda ilegal de cassiterita na Terra Indígena Yanomami, em Roraima.
As ordens foram expedidas pela Justiça Federal e incluem 12 mandados de busca e apreensão, além de 17 medidas para o sequestro de bens e valores. Não houve mandados de prisão nesta fase.
Investigação sobre a origem do minério
Segundo a Polícia Federal, a apuração identificou indícios de um esquema para retirar cassiterita ilegalmente da terra indígena. O material seria declarado como proveniente de um garimpo regular no Rio Tapajós, em Itaituba, no Pará, e supostamente levado a Roraima para tratamento. A investigação aponta, porém, que essa movimentação existiria somente nos registros, porque o minério seria extraído no próprio estado de Roraima.
A PF informou que foram encontradas transações financeiras ligando diferentes participantes da suposta cadeia, incluindo pilotos de aeronaves, postos de combustíveis, lojas de máquinas e equipamentos para mineração e pessoas usadas para ocultar movimentações fraudulentas.
A operação Disco de Ouro combate o comércio irregular e a exportação de minério extraído da reserva. Ela é um desdobramento de uma ação da Polícia Federal realizada em janeiro de 2022, quando 30 toneladas de cassiterita foram localizadas na sede de uma empresa investigada. O material teria sido retirado de terra indígena e estaria sendo preparado para envio ao exterior.
Naquela etapa, foram cumpridos dois mandados de prisão e seis de busca e apreensão, autorizados pela 4ª Vara Federal da Seção Judiciária de Roraima. As diligências ocorreram em Boa Vista e Mucajaí, em Roraima, além de São Paulo, Santos, Santarém, Uberlândia e Itapema. A investigação continua.
Defesa nega envolvimento
A defesa de Alexandre Pires negou a participação do cantor no esquema. Em nota assinada pelo advogado Luiz Flávio Borges D'Urso, afirmou que Pires "não tem e nunca teve qualquer envolvimento com garimpo ou extração de minério, muito menos em área indígena".
O advogado disse que o cantor foi surpreendido pelos desdobramentos da operação e que seu nome foi envolvido de forma indevida. A defesa também declarou que Pires jamais cometeu ilícito e que essa posição está sendo demonstrada no curso das investigações.




