Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro e apontado como operador de Daniel Vorcaro, está entre os alvos da terceira fase da Operação Carbono Oculto. A ação também mira Humberto Arthur Tupinambá Neto, diretor do Banco Genial, e os irmãos dele, André e Bruno Tupinambá.
A nova etapa foi realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo, em conjunto com a Receita Federal. Os órgãos cumpriram mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo. As ordens foram autorizadas pela 2ª Vara Criminal de Catanduva.
Freixo Júnior confirmou, em acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República, ter feito sete remessas ao fundo Havengate, nos Estados Unidos. Os pagamentos somaram US$ 12,3 milhões em 2025 e, segundo o delator, foram realizados a pedido de Vorcaro. O fundo, administrado por Paulo Calixto, financiou o filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.
Investigação sobre a Terrana
A operação, chamada de Crédito Oculto, investiga um esquema de lavagem de dinheiro e organização criminosa associado ao setor de combustíveis. O foco é a aquisição da Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., conhecida como Terrana.
O Ministério Público aponta Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo, como líderes da estrutura investigada. Os dois são apontados como chefes da organização Primeiro Comando da Capital, o PCC.
De acordo com o GAECO, fundos e empresas teriam sido criados para viabilizar a compra da distribuidora. Entre as estruturas citadas estão os fundos Radford, Derby 44 e Los Angeles 01, além de Berna Holdings Ltda. e Branson Holdings Ltda.
Mais de R$ 120 milhões teriam circulado por empresas usadas como contas de passagem, entre elas Aster Petróleo, SM Serviços Empresariais, Duvale Distribuidora e Usina Itajobi. Para os investigadores, a movimentação dificultava o rastreamento da origem dos recursos.
Alvos do mercado financeiro
Além de Freixo Júnior, dono da Entre Investimentos, os principais alvos são Humberto Arthur Tupinambá Neto e seus irmãos. A investigação passou a incluir profissionais ligados a bancos, fundos de investimento e estruturas societárias.
A base da apuração reúne relatórios do Coaf, documentos bancários, informações obtidas junto ao Banco Genial, análises de movimentações financeiras e mensagens extraídas de celulares apreendidos em fases anteriores.
A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal que Freixo era descrito em relatório do Coaf como “pioneiro nas Bahamas”, em referência a estruturas offshore que teria montado no país. A corporação afirmou que a existência dessas estruturas, isoladamente, não configura crime.
Freixo também é investigado no Caso Master e, ao mesmo tempo, firmou acordo de colaboração com a PGR. A posição das defesas do Banco Genial, da Entre Investimentos e da Terrana não havia sido divulgada até o fechamento das informações.
O material apreendido nesta fase deverá ser analisado pelos investigadores. A continuidade da apuração deve examinar os demais envolvidos e as conexões entre o mercado financeiro, o setor de combustíveis e o financiamento do filme.



