Carlos Bolsonaro (PL) passou a destacar Santa Catarina em sua nova propaganda eleitoral depois de não mencionar o estado no primeiro programa. Com uma bandeira catarinense ao fundo, o candidato ao Senado tentou responder às críticas sobre sua ligação com a região e afirmou que, embora não tenha nascido ali, foi no estado que “renasceu”.
Na peça, exibida nesta segunda-feira, Santa Catarina foi citada quatro vezes. Na estreia, veiculada na sexta-feira (28), o estado não havia sido mencionado. O novo vídeo, com pouco mais de um minuto, não apresentou um município catarinense nem tratou de uma pauta específica da região.
Discurso reaproveitado
A campanha também apresentou Carlos como alguém que pretende levar ao Senado as causas do estado e as defender ao lado do irmão Flávio. O candidato afirmou que seu sobrenome representa uma ameaça ao que chamou de “sistema perverso que se instalou em Brasília”, sem explicar a que se referia.
Parte significativa da propaganda repete um vídeo publicado em junho. Na gravação anterior, Carlos já havia falado sobre ter renascido em Santa Catarina, criticado o sistema político de Brasília e apresentado o estado como ponto de partida para um projeto nacional. O material também dizia que sua atuação teria alcance maior que a defesa dos interesses catarinenses.
A primeira propaganda eleitoral, centrada na infância de Carlos e na convivência com Jair Messias Bolsonaro, Eduardo e Flávio, alimentou críticas sobre a ausência de vínculo com Santa Catarina. Carlos é natural do Rio de Janeiro. Afrânio Boppré (PSOL), candidato ao Senado, afirmou que as cadeiras catarinenses não deveriam ser entregues a uma família do Rio de Janeiro.
Divisão na chapa
A campanha divulgou ainda um vídeo em que Carlos diz ter escolhido Santa Catarina por decisão pessoal, e não por estratégia política. A mensagem foi enviada a apoiadores junto com trecho de uma entrevista de abril. O candidato também mencionou uma frase do pai sobre o estado ser “o Brasil que deu certo”.
Carol de Toni, companheira de chapa pelo PL, pediu votos para Carlos em sua propaganda desta segunda-feira. Ele, que encerrou o bloco dos candidatos ao Senado, não pediu votos para ela nem para si próprio naquele momento.
A candidatura continua provocando divergências no PL catarinense. A entrada de Carlos na chapa majoritária não é consenso no diretório estadual. O texto também relaciona sua chegada ao estado, no fim de 2025, a meses de atritos públicos e à perda do apoio do senador Esperidião Amin (PP) ao governador Jorginho Mello (PL).
Pesquisa Quaest divulgada em 24 de agosto apontou Amin com 19% na combinação dos dois votos para o Senado, seguido por Carlos, com 16%, e Carol, com 12%. A rejeição de Carlos foi de 40%, ante 31% de Amin e 12% de Carol.
Amin tem usado a identidade local em sua campanha, apresentando-se como “catarinense raiz” e dizendo conhecer o estado de ponta a ponta. O senador também busca eleitores conservadores ao criticar o ministro Alexandre de Moraes e defender os envolvidos nos atos de 8 de janeiro.



