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Checagem aponta acertos e ressalvas em declarações de Eduardo Paes

Declarações sobre educação, segurança, sistema penitenciário, alianças políticas e contas públicas foram classificadas entre fato e não é bem assim.

Checagem aponta acertos e ressalvas em declarações de Eduardo Paes

Declarações feitas por Eduardo Paes, candidato do PSD ao governo do Rio, foram classificadas entre fato e não é bem assim em uma checagem realizada após sabatina nesta sexta-feira (11). Entre os temas analisados estão prisões de integrantes de governos do estado, resultados do Ideb, gastos com segurança pública, déficit de vagas no sistema penitenciário e capacidade de endividamento da prefeitura do Rio.

A afirmação de que o governo do PL no Rio teve quatro secretários presos com ligação com o crime organizado foi considerada fato. Allan Turnowski, ex-secretário estadual de Polícia Civil, foi preso em 2022 e denunciado pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro sob acusação de integrar uma organização criminosa ligada ao jogo do bicho. Raphael Montenegro, então secretário estadual de Administração Penitenciária, foi preso em 2021 por suspeitas de negociação de vantagens com integrantes do Comando Vermelho.

Alessandro Pitombeira Carracena, que ocupou as secretarias estaduais de Esporte e Lazer e de Defesa do Consumidor, além da Secretaria Municipal de Ordem Pública na gestão de Marcelo Crivella, está preso desde setembro de 2025. Segundo investigação da Polícia Federal, ele integraria o núcleo político de uma organização ligada ao Comando Vermelho. Rodrigo Bacellar, ex-secretário estadual de Governo, também foi preso. Em março de 2026, o Supremo Tribunal Federal voltou a decretar sua prisão preventiva por suspeitas de vazamento de informações e obstrução de investigações relacionadas a organizações criminosas.

Educação e segurança pública

A declaração de que o Rio tem o pior Ideb do Brasil foi classificada como não é bem assim. O indicador é divulgado por etapa de ensino e por rede, e não por meio de uma nota única para cada estado. No ensino médio da rede estadual, o Rio registrou 3,7 em 2025, empatado com Amazonas, Roraima e Amapá e acima apenas do Distrito Federal, que teve 3,6.

O resultado fluminense subiu de 3,3, em 2023, para 3,7, em 2025. O indicador de rendimento escolar passou de 80% para 92%, enquanto o indicador de aprendizagem caiu de 4,095 para 4,036. Em língua portuguesa, a média do Saeb recuou de 258,09 para 254,76 pontos; em matemática, de 252,19 para 251,53.

Também foi considerada incorreta a afirmação de que São Gonçalo ocupa a penúltima posição no Ideb 2025 dos anos iniciais da rede municipal. O município registrou 4,9, terceira menor nota entre as cidades fluminenses, empatado com Duque de Caxias. Japeri teve 4,3, e Belford Roxo, 4,8. São Gonçalo avançou de 4,5, em 2023, para 4,9, em 2025, nos anos iniciais, e de 3,9 para 4,2 nos anos finais.

A comparação entre os gastos do Rio e de Goiás por aluno foi considerada parcialmente incorreta por causa da referência ao melhor Ideb. O Rio gasta R$ 19.580 por aluno ao ano, contra R$ 10.704 em Goiás, diferença de 83%. Goiás liderou o ensino médio em 2023, com 4,8, mas o resultado mais recente, divulgado pelo Inep em 2026, colocou o Paraná na liderança, com 5,1, enquanto Goiás ficou com 5,0.

A afirmação de que o Rio é o estado que mais gasta em segurança pública também foi classificada como não é bem assim. Em 2025, o estado empenhou R$ 17,37 bilhões na área, cerca de R$ 1.100 por habitante, ficando em quarto lugar. Em valores absolutos, foi o segundo maior gasto, atrás de São Paulo, que destinou R$ 18,38 bilhões.

Por outro lado, a segurança pública representou 14,9% das despesas do Rio, o maior percentual entre os estados. No RREO em Foco de 2025, do Tesouro Nacional, a área correspondeu a 16% das despesas empenhadas pelo estado, proporção inferior apenas à de Minas Gerais, com 20%.

Polícia Civil e sistema penitenciário

A declaração sobre a mudança na Lei Orgânica da Polícia Civil e a nomeação de Marcus Vinícius Amim Fernandes foi considerada fato. A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro alterou a regra que exigia pelo menos 15 anos como delegado. Com a mudança, passou a ser considerado o tempo de serviço na instituição, o que permitiu a nomeação de Amim.

Ele comandou a Polícia Civil entre outubro de 2023 e setembro de 2024. Rodrigo Bacellar era presidente da Alerj e apoiou a indicação. Depois de deixar a secretaria, em setembro de 2024, Amim foi nomeado para coordenar a segurança da Assembleia. Em julho de 2026, foi alvo da 6ª fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal, e a Corregedoria da Polícia Civil abriu investigação disciplinar contra ele.

A estimativa de um déficit de cerca de 19 mil vagas no sistema penitenciário do Rio, próxima das 20 mil mencionadas por Paes, também foi considerada fato. Segundo a Secretaria de Polícia Penal, apenas 8 das 47 unidades não apresentam falta de vagas.

Apoios políticos e contas municipais

A afirmação de que Antonio Rueda não apoia Paes e de que o partido do candidato não apoia Rueda foi classificada como não é bem assim. O União Progressista declarou neutralidade na disputa pelo governo do Rio, mas Rueda, presidente nacional do União Brasil, participou de agendas com aliados de Paes e esteve em evento de campanha em São João de Meriti.

A neutralidade da federação não impede manifestações individuais. Rueda declarou apoio ao candidato a senador Pedro Paulo, aliado de Paes, e mantém articulações com políticos dos dois lados da disputa.

A declaração sobre Chiquinho Brazão foi considerada fato. Ele foi indicado pelo Republicanos para a Secretaria Especial de Ação Comunitária da Prefeitura do Rio, em 3 de outubro de 2023, durante a articulação política entre Paes e o partido para a reeleição municipal de 2024. Chiquinho deixou o cargo em 1º de fevereiro de 2024, exonerado pela prefeitura.

A informação sobre o avanço das suspeitas envolvendo Domingos Brazão no caso Marielle e o envio do caso ao Superior Tribunal de Justiça havia sido divulgada antes. O ex-policial militar Ronnie Lessa apontou Domingos como um dos mandantes do assassinato em acordo de delação premiada. A prisão de Chiquinho, Domingos e Rivaldo Barbosa ocorreu em 24 de março de 2024.

Também foi considerada fato a declaração sobre o limite de endividamento da Prefeitura do Rio. A relação entre a dívida do município e a receita corrente líquida variou, nos últimos anos, de 35% a 48%.

Em 2024, a dívida líquida consolidada era de R$ 16,94 bilhões, diante de uma receita corrente líquida de R$ 34,89 bilhões, relação de 48,55%. Em 2025, a dívida líquida caiu para R$ 13,25 bilhões, enquanto a receita corrente líquida chegou a R$ 36,96 bilhões. A relação ficou em 35,84%. O argumento de capacidade para novos investimentos considera a diferença entre esse percentual e o limite permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

Texto produzido pela Redação Caderno do Saber com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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