BELO HORIZONTE — Uma conta da Igreja Batista da Lagoinha em Belvedere movimentou R$ 57,1 milhões entre 24 de dezembro de 2024 e 8 de dezembro de 2025, segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) enviado à Polícia Federal em fevereiro deste ano. As operações foram consideradas atípicas pelo órgão.
O documento foi tornado público nesta quinta-feira (10), após o levantamento do sigilo do caso Master. A conta, mantida no Banco do Brasil, registrou R$ 28.493.311 em créditos e R$ 28.617.002 em débitos, totalizando R$ 57.110.313 no período.
A instituição era administrada por Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Investigadores apontam Zettel como operador financeiro da organização criminosa ligada a Vorcaro, dono do Banco Master. A defesa de Zettel, preso em março deste ano na segunda fase da operação Compliance Zero, informou que não vai se manifestar.
Valores e destinos
O montante chamou a atenção por superar o faturamento anual presumido da igreja, de R$ 950 mil. Apenas os créditos registrados no período equivalem a cerca de 30 vezes essa estimativa.
O Coaf afirmou que as operações, “por sua habitualidade, valor e forma”, podem configurar “artifício para burla da identificação da origem, do destino, dos responsáveis ou dos destinatários finais”. A equivalência entre os valores que entraram e saíram da conta também fundamenta suspeitas da Polícia Federal e do Coaf sobre o possível uso da entidade como conta de passagem.
Construtoras e incorporadoras receberam R$ 4,9 milhões em repasses no período. Zettel foi responsável por 26 lançamentos na conta, que somaram R$ 19,2 milhões. Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, fez quatro aportes, no total de R$ 120 mil. Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão realizou 11 depósitos, que chegaram a R$ 22 mil.
A unidade Belvedere, fechada em março deste ano, fazia parte da Lagoinha Global, presidida por André Valadão. A denominação afirma que as igrejas locais têm liderança própria e autonomia financeira.
A Lagoinha Global informou que foi comunicada de que os recursos seriam usados em reformas e melhorias nas dependências da igreja. Segundo a instituição, os valores não eram de conhecimento da rede e não correspondiam a contribuições, doações, dízimos ou ofertas. A organização disse ainda que Zettel foi afastado de suas funções pastorais após as primeiras informações públicas sobre o caso Banco Master e que defende a apuração dos fatos pelas autoridades.



