SÃO PAULO — O Financial Times publicou neste sábado (26) uma reportagem de capa sobre a família Bolsonaro, com foco nas disputas internas e nas possibilidades de sucessão política. O texto, assinado por Michael Pooler, apresenta Jair Bolsonaro como líder do grupo e examina o papel de Flávio, Michelle, Carlos e Eduardo Bolsonaro.
A publicação descreve a família como um grupo marcado por posições radicais, conflitos e diferentes estilos de atuação política. O ponto de partida é um vídeo de Michelle Bolsonaro, no qual ela acusou Flávio de humilhá-la em uma disputa interna do partido. Para o jornal, o episódio tornou pública uma tensão antiga entre a ex-primeira-dama e os filhos de Jair Bolsonaro.
O Financial Times define Flávio como o integrante escolhido para tentar manter a força política da família. O senador é apresentado como o membro mais moderado do grupo, embora ainda precise decidir entre preservar o legado do pai e defender uma versão renovada do bolsonarismo. A publicação também afirma que ele reduziu a distância para os adversários nas pesquisas mais recentes.
Entre as propostas atribuídas a Flávio estão a redução dos gastos públicos, medidas favoráveis ao empresariado, a diminuição da maioridade penal para 16 anos e a construção de novas prisões. O jornal afirma que sua base estaria concentrada entre as classes média e alta e os evangélicos. Também registra críticas de que ele seria um instrumento de Jair Bolsonaro e atenderia a interesses dos Estados Unidos.
A reportagem apresenta cenários para a eleição de outubro. Em caso de vitória de Flávio, a família poderia se consolidar como uma dinastia política. O texto afirma que ele pressionaria o Congresso por uma anistia ampla aos envolvidos na tentativa de golpe e aos condenados pelo 8 de Janeiro. Nesse cenário, Jair Bolsonaro poderia tentar voltar à disputa presidencial em 2030.
Se Flávio perder, o jornal considera possível o encerramento da chamada Era Bolsonaro e a abertura de espaço para uma direita mais moderada, citando Tarcísio de Freitas. O texto também menciona a ausência de um sucessor definido para Luiz Inácio Lula da Silva e avalia que esse quadro poderia reduzir a polarização política em quatro anos.
Os integrantes da família
Jair Bolsonaro é descrito como um líder de direita radical que se aproximou de Donald Trump e chegou à Presidência apoiado por setores do agronegócio, cristãos conservadores e integrantes das forças de segurança. O Financial Times destaca suas declarações durante a pandemia de covid-19, quando chamou a doença de “gripezinha”, promoveu tratamentos sem eficácia comprovada e foi acusado de atrasar a compra de vacinas.
A publicação também relaciona Jair Bolsonaro ao processo sobre a tentativa de permanecer ilegalmente no poder e cita a atuação de Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, nesse caso. O jornal afirma que Moraes poderia, de forma involuntária, contribuir para uma eventual liberdade do ex-presidente.
Michelle Bolsonaro é apresentada como uma cristã devota e como alguém que cuidou de Jair após a prisão e cirurgias recentes. O texto relata sua atuação em causas ligadas a doenças raras e à comunidade surda, além de mencionar sua infância no Distrito Federal. Segundo a publicação, a relação dela com Flávio e Eduardo seria fria, mas civilizada, enquanto Carlos teria interrompido o contato com a madrasta.
Carlos Bolsonaro aparece como o integrante mais combativo nas redes sociais e como alguém que nunca demonstrou interesse em substituir o pai na política. Eduardo Bolsonaro é descrito como o filho mais parecido com Jair no estilo, ligado a grupos internacionais de direita e à família Trump. Morando no Texas desde 2025, ele é considerado fora da sucessão política e corre risco de prisão se retornar ao Brasil, segundo o texto.
A reportagem ainda menciona episódios da campanha de Flávio em 2026, incluindo o recebimento de ao menos 12,3 milhões de dólares por um projeto de filme sobre Jair Bolsonaro. O dinheiro teria vindo de um empresário preso por suspeita de fraude bancária. O Financial Times também afirma que Flávio foi chamado de traidor da pátria pelo governo Lula após publicar uma foto ao lado de Donald Trump.
Ao final, a publicação informa que Eduardo e Flávio não responderam aos pedidos de comentário, que Carlos e Jair Renan Bolsonaro não foram localizados e que Michelle se recusou a comentar.



