FLORIANÓPOLIS — Criado por três primos que buscavam novas amizades, o Futuro Simples promove encontros sem celular em Florianópolis. A proposta é oferecer um espaço para convivência, sem foco em festas, networking, palestras ou cursos. De acordo com os organizadores, mais de três mil pessoas estão na lista de espera para participar das próximas edições.
Rodrigo Santos Rech, de 23 anos, Roger Coimbra Santos, de 27, e Cauã Coimbra Santos, de 21, desenvolveram a ideia depois de se mudarem para a capital catarinense e passarem cerca de dois anos com dificuldade para fazer novas amizades. Os três trabalhavam de casa, não faziam faculdade presencial e não se identificavam com a vida noturna baseada em festas e bebida.
As conversas que deram origem ao projeto ocorreram na casa dos primos, no Campeche, no sul da ilha de Florianópolis. Eles buscavam um local destinado simplesmente a conhecer pessoas novas e conviver. Mesmo conectados, afirmaram que se sentiam solitários. A situação, segundo os organizadores, também aparece entre 37% da Geração Z, formada por pessoas nascidas entre 1995 e 2010, que declararam sentir solidão com frequência.
A inspiração veio do conceito de “terceiros espaços”, popularizado pelo sociólogo Ray Oldenburg em 1989. Nessa ideia, a casa é o primeiro espaço de convivência, o trabalho é o segundo, e o terceiro corresponde a locais como praças, cafés, parques e praias, onde as pessoas podem simplesmente estar juntas.
Como funcionam os encontros
O Futuro Simples foi criado com a proposta de ser, segundo os desenvolvedores, o primeiro clube offline do Brasil. A principal regra é que os participantes entreguem o celular na chegada e o recebam de volta na saída.
Os encontros começam com um período de silêncio intencional. Nesse momento, cada pessoa pode ler, escrever, desenhar, descansar ou não fazer nada. Depois, a convivência ocorre de maneira aberta, com conversas, jogos, comida, música e outras atividades, sem uma programação rígida.
A primeira reunião ocorreu em 13 de junho, na casa dos jovens, e reuniu 21 pessoas. O grupo também realizou uma edição externa para cerca de 150 participantes. Os eventos na residência têm limite de aproximadamente 60 pessoas. Uma edição ao ar livre na Casa Flora Floripa recebeu mais de 100 participantes.
Um vídeo do primeiro encontro publicado nas redes sociais do evento ultrapassou 10 mil curtidas. Atualmente, as atividades são destinadas a pessoas entre 20 e 35 anos. Para participar, é necessário preencher um formulário disponível no Instagram do encontro.
Segundo Rodrigo, a seleção dos participantes considera a disposição para conhecer, trocar experiências e contribuir com o ambiente, e não profissão, status ou número de seguidores. A proposta do clube é reunir pessoas cujo interesse comum seja voltar a conviver.



