RIO DE JANEIRO — A Linha Vermelha foi interditada pelo menos oito vezes neste ano por ocorrências policiais. No entorno da via, foram registrados 113 tiroteios e 78 pessoas baleadas desde janeiro até 28 de setembro, segundo levantamento do Instituto Fogo Cruzado.
A RJ-071 é uma das principais entradas do Rio e dá acesso ao Aeroporto Internacional do Galeão. Cerca de 90 mil veículos passam diariamente pela via. Na manhã de segunda-feira, três ônibus com estudantes de um colégio particular foram abordados na altura do Parque das Missões, em uma ação atribuída a criminosos em retaliação a uma operação no Complexo da Maré, na Zona Norte.
Registros no entorno da via
A Maré concentrou o maior número de tiroteios nas proximidades da Linha Vermelha, com 35 ocorrências e 31 pessoas baleadas neste ano. Cordovil aparece em seguida, com 23 tiroteios e 19 baleados. Em Vigário Geral, foram registrados 17 tiroteios e cinco pessoas atingidas.
Na comparação com 2025, o total de tiroteios caiu 7%, passando de 122 para 113. Já o número de mortos e feridos aumentou 13%, de 69 para 78.
Das oito interdições registradas em 2026, pelo menos duas tiveram relação direta com operações policiais em comunidades próximas. No início de maio, a Polícia Militar fechou as pistas depois que criminosos jogaram objetos na via durante uma operação no Complexo da Maré. Em 24 de agosto, a corporação interditou preventivamente a Linha Vermelha por cerca de 30 minutos, durante a madrugada, enquanto equipes entravam no Complexo de Israel.
A Polícia Militar adotou novos protocolos de segurança para reduzir os riscos de quem circula pelas estradas. A mudança foi estabelecida depois que três pessoas morreram baleadas ao passar pela Avenida Brasil durante uma operação no Complexo de Israel, em outubro de 2024.
Roubos e deslocamento de criminosos
Além dos tiroteios, a Linha Vermelha registra roubos de veículos e celulares. No fim de julho, por volta das 7h15, um homem que deixava o Aeroporto Internacional do Galeão foi abordado por um criminoso armado na altura da Maré. O assaltante levou os celulares da vítima e do motorista, além de alianças e outros pertences.
As vias expressas também são usadas por criminosos em deslocamentos para ataques contra comunidades rivais. Um documento interno da Polícia Militar pediu atenção para a movimentação de traficantes do Complexo do Alemão, que poderiam usar a Linha Vermelha e a Avenida Brasil para chegar a Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e realizar ataques no bairro do Pantanal.
De acordo com a corporação, pelo menos 12 homicídios registrados no mês anterior estariam relacionados a conflitos entre o CV e o TCP. As investigações também apontaram que integrantes do TCP, sob ordem de Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão, teriam iniciado ataques nas vias expressas para tentar forçar a retirada das forças de segurança de uma comunidade.


