A Polícia Civil investiga um esquema de fraude e superfaturamento em cirurgias pagas pelo SC Saúde, plano de saúde dos servidores públicos de Santa Catarina. A operação cumpriu 31 mandados de busca e apreensão em Santa Catarina, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Tocantins.
A apuração identificou a atuação de médicos, empresários e advogados que não integravam o quadro de funcionários do plano. Eles usariam negativas administrativas para levar os pedidos de cirurgia à Justiça. Depois, seriam apresentados orçamentos de órteses, próteses e materiais especiais (OPMEs) com valores acima dos praticados no mercado.
Em um dos casos analisados, um procedimento estimado em R$ 29 mil teve pagamento judicial superior a R$ 600 mil. A Polícia Civil informou que a diferença entre os valores era de 20 vezes. A análise de 33 procedimentos apontou prejuízo estimado em R$ 6 milhões aos cofres públicos.
Como funcionava o esquema
A investigação começou depois que uma auditoria interna do SC Saúde encontrou indícios de irregularidades em cirurgias de coluna por via endoscópica. Conforme a Delegacia de Combate à Corrupção, médicos indicavam fornecedoras ligadas ao mesmo grupo econômico, ainda que registradas com nomes diferentes. A prática simulava concorrência e ocultava o superfaturamento.
A Polícia Civil afirmou que não há indícios de participação de servidores públicos no crime. O governo de Santa Catarina informou que os indícios encontrados na auditoria foram encaminhados formalmente à corporação, dando início à investigação que resultou na Operação Dose Extra.
Além das buscas, a Vara Estadual de Organizações Criminosas determinou a indisponibilidade de bens e valores dos investigados até o limite de R$ 10 milhões. Foram apreendidos 35 veículos, 2 motos aquáticas e 1 embarcação.
Também foram autorizadas medidas cautelares diferentes da prisão. Entre elas está a proibição imediata de cinco empresas investigadas contratarem com o Estado de Santa Catarina.



