MANAUS — A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de investigação criminal contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A iniciativa foi motivada por uma conversa extraída do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do banco Master, na qual um advogado afirma ter entregue a Lula uma garrafa de uísque.
O Palácio do Planalto nega que o presente tenha sido entregue. A conversa não comprova que a entrega tenha ocorrido. O caso levanta a discussão sobre quando um presente recebido por um presidente poderia configurar crime: isso poderia ocorrer se estivesse ligado a um pagamento por favor realizado com recursos públicos.
Em novembro de 2025, o Banco Central do Brasil liquidou o banco Master, enquanto Vorcaro foi preso pela Polícia Federal. Ele continua preso. O texto também registra que Lula determinou a investigação do caso.
Recursos para filme e viagens
Às vésperas da prisão de Vorcaro e da liquidação do banco, Flávio enviou mensagens de voz ao banqueiro para cobrar parcelas de um financiamento prometido para um filme sobre Jair Bolsonaro. O valor anunciado era de 134 milhões de reais. Há registro de que Vorcaro teria repassado cerca de 13 milhões de dólares (65 milhões de reais).
Inicialmente, Flávio negou o pedido de dinheiro e acusou um jornalista de mentir. Após a divulgação dos áudios, reconheceu que havia solicitado recursos, mas afirmou tratar-se de “dinheiro privado para bancar um filme privado”.
A Polícia Federal também revelou que Flávio viajou da Flórida, nos Estados Unidos, para o Brasil em um avião de Vorcaro. A aeronave havia transportado o ministro do STF Alexandre de Moraes e a mulher dele. Na viagem, estavam Flávio, a mulher e os filhos, além do advogado e empresário Willer Tomaz de Souza.
Willer, que também aparece relacionado ao escândalo do INSS, realizou cinco viagens internacionais com Flávio, segundo as informações apresentadas. Na Flórida, teria levado o senador a cassinos e pago despesas de cerca de 230 mil dólares.
A defesa de Flávio questiona a existência de crime no episódio do uísque. As informações sobre os repasses para o filme, as viagens e as despesas são apresentadas no contexto das apurações envolvendo Vorcaro, o banco Master e recursos de fundos de previdência dos Estados e de aposentados do INSS.



