RIO DE JANEIRO — A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira, a Operação Peabiru para investigar a possível entrada irregular no Brasil de uma pintura reconhecida como parte do patrimônio cultural peruano. A apuração também verifica se a obra foi oferecida para venda ilegalmente.
A investigação começou após a Polícia Nacional do Peru comunicar à PF a oferta da tela “Magnífico Señor de los Temblores – Escuela Cusqueña, Siglo XVII” em uma plataforma internacional de comércio de obras de arte.
Busca e apreensão
As diligências identificaram vínculos entre a pintura e uma empresa sediada no Rio de Janeiro que atua no comércio de artes e antiguidades. Agentes cumprem um mandado de busca e apreensão no Alto da Boa Vista, na Zona Norte da capital.
A medida busca localizar a tela e documentos relacionados à aquisição, à procedência, ao transporte, à importação, à oferta e à comercialização da obra. Os policiais também procuram dispositivos eletrônicos que possam conter informações ligadas à investigação.
Os fatos são apurados como possíveis crimes de receptação qualificada e contrabando, sem prejuízo da identificação de outras infrações penais eventualmente relacionadas ao caso.
Obra peruana
Uma análise técnica do Ministério da Cultura do Peru classificou a pintura como uma obra vice-reinal peruana do século XVII, de valor histórico e artístico. Reconhecida como integrante do Patrimônio Cultural da Nação Peruana, ela não poderia ter deixado o país sem autorização estatal específica.
A operação integra a cooperação policial internacional entre Brasil e Peru para combater o tráfico de bens culturais e recuperar objetos pertencentes ao patrimônio histórico e artístico estrangeiro.
O nome Peabiru faz referência a uma antiga rede de trilhas indígenas que atravessava parte da América do Sul, conectando regiões do atual território brasileiro ao interior do continente e a áreas próximas aos Andes. De acordo com a PF, a denominação representa a ligação histórica entre o Brasil e a região andina e o esforço conjunto para reconstituir a trajetória da obra, preservar sua origem e possibilitar seu retorno ao patrimônio cultural peruano, caso seja confirmada a saída irregular.




