A Polícia Civil do Ceará afirmou que Isabelle Caracristi, de 22 anos, caiu voluntariamente do terraço do condomínio La Piazza, onde vivia havia poucas semanas com o namorado, João Munhoz Neto, de 34 anos. A conclusão foi apresentada em entrevista coletiva nesta quarta-feira (23).
Neto foi preso na terça-feira por suspeita de induzimento ao suicídio e violência psicológica. A polícia, porém, informou que ainda realiza diligências para descartar completamente a participação de terceiros.
Imagens e perícias
De acordo com Júlio Torres, perito-geral da Perícia Forense do Ceará, uma câmera do condomínio registrou a queda e sustenta a conclusão de que Isabelle se lançou do rooftop. O equipamento ficava no hall da piscina. Não havia câmeras no terraço nem na escada de acesso à cobertura.
Mais de 700 vídeos de outras câmeras do condomínio foram analisados, sem que fossem identificadas alterações, segundo Torres. A polícia também fez perícias no apartamento, no terraço e no local onde o corpo caiu, ainda na noite da ocorrência. Outras análises e exames complementares devem ser concluídos em 10 dias.
O laudo cadavérico indicou politraumatismo, com lesões compatíveis com o impacto contra o solo. A necropsia não apontou gravidez, e exames laboratoriais tiveram resultado negativo para substâncias de interesse toxicológico.
O delegado-geral da Polícia Civil do Ceará, Márcio Gutiérrez, afirmou que a prisão foi solicitada para investigar se houve induzimento ou instigação ao suicídio, além de possível auxílio. Também são apurados o que ocorreu antes da queda, a presença de outras pessoas no local e os horários em que o namorado esteve no apartamento.
Relação entre o casal
João Munhoz Neto era chefe de Isabelle no escritório de advocacia onde ela iniciou um estágio em julho. Conforme depoimento, ele reconheceu que negou ser casado quando começou a se relacionar com a jovem. Disse que estava separado de fato e em processo de divórcio. O casamento havia ocorrido em janeiro de 2025.
A mãe de Isabelle, Isorlanda Caracristi, afirmou que se preocupava com a relação da filha com o chefe. Segundo ela, Isabelle havia relatado comportamento ciumento, possessivo e controlador do namorado. As duas também teriam conversado sobre a rapidez com que o relacionamento avançou.
Cronologia do caso
Imagens do condomínio mostram Isabelle chegando às 17h58. João teria ido buscá-la na portaria, e os dois subiram juntos. Às 18h33, ele deixou o prédio com outra roupa. Às 19h12, Isabelle entrou no elevador em direção ao terraço, no 23° andar. O apartamento ficava no 15° andar. A última mensagem enviada por ela à mãe foi às 19h22.
Segundo a polícia, Isabelle morreu às 20h40, 88 minutos depois de subir ao terraço. João voltou ao prédio às 22h48, quando o carro da perícia já estava na garagem.
A mãe relatou o caso nas redes sociais depois de perder contato com a filha. Ela afirmou que procurou João, mas estava bloqueada, e que descobriu a morte ao ir ao condomínio. A Polícia Civil já colheu quatro depoimentos e deve ouvir mais quatro pessoas. O celular e um tablet de Sara Regina Alexandre Munhoz, mãe de João, foram apreendidos durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão em Caucaia. Os aparelhos passarão por perícia.
O crime de induzimento ao suicídio está previsto no artigo 122 do Código Penal, com pena de seis meses a dois anos de prisão. Já a violência psicológica contra a mulher é definida no artigo 147-B e também prevê pena de 6 meses a 2 anos, além de multa quando a conduta não configurar crime mais grave.



