A primavera começa às 21h05 de hoje com previsão de temperaturas acima da média, possibilidade de ondas de calor, chuva intensa e ventos fortes. A estação deve ser marcada por mudanças rápidas no tempo, associadas à influência do El Niño no Hemisfério Sul.
Nos últimos dias, o tempo alternou períodos de chuva, sol e calor. No último fim de semana do inverno, as temperaturas passaram de 35°C. Ontem, porém, o céu nublado e a ventania provocaram quedas de árvores em alguns pontos da cidade. No Vidigal, os ventos chegaram a 77km/h às 7h30. Também houve queda de árvores na Rua Macedo Sobrinho, no Humaitá.
Às 20h15, a Defesa Civil emitiu um alerta para a madrugada, com previsão de frente fria, chuva forte, ventos e raios. O órgão orientou a população a ligar para 199 ou 193 em situações de emergência.
Calor e mudanças rápidas
A média máxima da primavera costuma ficar em torno de 28°C, mas pode chegar perto de 30°C nos próximos meses, de acordo com as projeções climáticas. A possibilidade de ondas de calor também permanece no cenário.
O meteorologista Fabio Hochleitner, pesquisador do Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (Lamce) da Coppe/UFRJ, explica que a primavera combina características do inverno e do verão. Essa transição favorece a formação de eventos meteorológicos com poucas horas de antecedência, como chuvas e ventos fortes.
O meteorologista Cesar Soares, do Climatempo, afirma que o encontro de massas de ar quente e frio pode fazer o calor dar lugar rapidamente a temporais, ventanias e queda nas temperaturas. “A frente fria provoca choques de massas de ar”, disse.
Para o professor Leandro Torres Di Gregorio, do Departamento de Construção Civil da Escola Politécnica da UFRJ, um El Niño mais intenso exige preparação das defesas civis. Ele cita a necessidade de protocolos para situações de deslizamentos e inundações, além do monitoramento contínuo e do envio rápido de alertas.
A prefeitura do Rio desenvolve, em conjunto com a UFRJ e a PUC-RJ, um sistema de alerta de inundações. O projeto-piloto deve ser realizado na região da bacia do Rio Acari, sujeita a enchentes, já no próximo verão.
Efeitos sobre as plantas
As alterações no regime de chuvas também afetam a floração. O biólogo e doutor em botânica Izar Aximoff afirma que a chuva desencadeia o processo e que o inverno mais úmido antecipou o surgimento das flores.
Segundo ele, a quantidade de chuva no inverno foi cinco vezes maior do que em outros anos. Isso desregulou o ciclo de plantas que normalmente florescem no início ou no meio da primavera. Em cultivos como o café, o excesso de chuva pode provocar florações fora de época ou duas florações no mesmo ano.



