SÃO PAULO — O reajuste do Bolsa Família anunciado pelo governo provocou uma disputa política entre opositores e aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A medida foi apresentada a 17 dias do primeiro turno das eleições e passou a ser questionada por candidatos e dirigentes partidários, que apontaram possível uso eleitoral do benefício.
O governo informou que o piso do programa subirá de R$ 600 para R$ 691. O valor médio pago às famílias passará de R$ 691 para R$ 777. Segundo o Executivo, o impacto será de R$ 5,8 bilhões em 2026 e de R$ 22 bilhões em 2027.
Reações da oposição
Aliados do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) acusaram Lula de agir por interesse eleitoral. Entre as expressões usadas estão desespero, tentativa de comprar votos e medida eleitoreira.
Renan Santos (Missão) declarou que pretende recorrer à Justiça Eleitoral para tentar suspender o reajuste. O candidato classificou a decisão como populista e criminosa. O Novo também analisa a possibilidade de apresentar um questionamento judicial. Para o presidente da legenda, Eduardo Ribeiro, o problema está no momento escolhido para anunciar a mudança, e não na discussão sobre o valor do programa.
Romeu Zema (Novo) chamou o reajuste de eleitoreiro e disse que a decisão demonstraria desespero. Ele também acusou o presidente de irresponsabilidade fiscal, embora tenha afirmado que considera o Bolsa Família uma política pública importante e defendido ações para levar beneficiários ao mercado de trabalho.
Jorge Seif (PL), Nikolas Ferreira (PL-MG) e Renato Bolsonaro (PL-SP) também relacionaram o anúncio ao calendário eleitoral. Renato Bolsonaro afirmou não ser contrário ao atendimento dos mais necessitados, mas criticou o uso da medida durante a eleição.
Defesa do programa
Aliados de Lula usaram as críticas para defender o Bolsa Família e destacar diferenças entre o governo e a oposição nas políticas sociais. Lindbergh Farias (PT) afirmou que os críticos adotam outro tratamento quando o tema envolve benefícios para empresas ou despesas com juros.
Humberto Costa (PT-PE) classificou o anúncio como histórico e disse que o programa garante comida para milhões de brasileiros. Samanda de Lula (PT-RN) relacionou o reajuste à alimentação e à tranquilidade das famílias.
Jandira Feghali (PCdoB-RJ) afirmou que o aumento reforça o programa como instrumento de cidadania e apoio aos mais vulneráveis. André Janones (Rede-MG) comemorou o novo valor e rejeitou a interpretação de que a mudança seria temporária por causa das eleições.
O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, defendeu que o Bolsa Família atende as famílias mais necessitadas. O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), disse que a medida representa mais comida, dignidade e segurança para milhões de famílias.



