RIO DE JANEIRO — O vereador Jorge Eduardo Barreto de Andrade Filho, conhecido como Jorge Canella, foi preso em flagrante pela Polícia Federal nesta terça-feira, após agentes apreenderem dois fuzis e uma submetralhadora na casa do parlamentar, na Zona Sudoeste do Rio. A ação integra a sétima fase da Operação Unha e Carne, que investiga suspeitas de posse irregular de armas de fogo de uso restrito.
As buscas ocorreram em três endereços: na Barra da Tijuca, no Recreio dos Bandeirantes e na Câmara Municipal do Rio. Os mandados foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O vereador e as armas foram levados à Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio de Janeiro.
A PF informou que o armamento estava “em desacordo com a previsão legal, fato que levou à prisão em flagrante do alvo da ação”. Jorge Canella deverá responder por posse ilegal de arma de fogo de uso restrito.
Relação com fase anterior
A operação desta terça-feira é um desdobramento da sexta fase da Operação Unha e Carne. Na etapa anterior, agentes encontraram um fuzil no carro de Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo. Ele foi solto alguns dias depois por determinação do ministro Alexandre de Moraes.
Jorge Canella e Márcio Canella não são parentes, embora tenham o mesmo sobrenome. Os dois mantêm uma relação política de longa data.
A sexta fase investigava uma quadrilha suspeita de usar postos de gasolina para lavar dinheiro. O caso teve origem em um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que apontou movimentação de mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos por uma rede de postos.
Na ocasião, foram cumpridos mandados em 19 endereços no Rio, em Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende. A Polícia Federal apreendeu 11 carros de luxo, incluindo uma Mercedes-Benz avaliada em R$ 1,5 milhão. Em uma empresa em Niterói, foram encontrados cerca de R$ 800 mil em espécie. Um policial militar também foi preso por porte de arma na casa de um dos investigados.
A Polícia Militar informou que Jorge Canella é oficial da corporação e está na reserva remunerada. A Corregedoria-Geral acompanhará a tramitação da investigação e se colocou à disposição das autoridades.
A ação desta terça-feira ocorre no âmbito da Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal para desarticular organizações criminosas atuantes no estado do Rio de Janeiro, conforme as diretrizes do STF na ADPF 635.



