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Dentes antigos revelam consumo de noz de areca na Indonésia

Análises arqueológicas indicam que habitantes de Sulawesi usavam a semente como psicoativo há mais de 25 mil anos.

Dentes antigos revelam consumo de noz de areca na Indonésia
Foto: Fakhri/Divulgação

Vestígios encontrados em restos mortais indicam que habitantes antigos de Sulawesi, na Indonésia, mascavam sementes de Areca catechu há mais de 25 mil anos. A prática está entre as evidências mais antigas conhecidas do uso humano de substâncias psicoativas.

A conclusão foi apresentada por arqueólogos da Universidade de Griffith, na Austrália, em parceria com pesquisadores da Universidade Hasanuddin, na Indonésia. O estudo foi publicado nesta quarta-feira, 9, na revista Science Advances.

As marcas analisadas nas arcadas dentárias sugerem o uso repetido dos dentes para chupar a semente. Os pesquisadores associaram esse comportamento a dois corpos: um deles pertencente a períodos da última Era Glacial e outro de poucos milhares de anos depois. Os dentes também apresentavam sinais de doença periodontal severa.

Ação da semente

A arecolina é o alcaloide neuroativo responsável pelos efeitos da noz de betel, também chamada de noz de areca. Atualmente, a semente costuma ser macerada e combinada com cal hidratada antes de ser mascada. Essa preparação facilita a entrada dos compostos na corrente sanguínea e provoca euforia e maior estado de alerta.

Testes realizados pelos pesquisadores mostraram, porém, que a cal não é indispensável para a liberação da substância. A mistura da noz com saliva humana produziu um fluido com quantidade suficiente de arecolina para provocar os efeitos psicoativos.

Os grupos de Sulawesi tinham problemas dentários com frequência. Como a semente também apresenta propriedades analgésicas, os pesquisadores consideram que sugar a noz poderia aliviar dores. O hábito, contudo, contribuía para o agravamento dos danos na dentição.

Uma história mais antiga

Antes desse achado, o consenso científico situava os primeiros usos de substâncias psicoativas em cerca de 13 mil anos, após o surgimento da agricultura na região que hoje corresponde a Israel. Naquele caso, a substância era uma bebida fermentada, a cerveja.

A evidência de Sulawesi desloca para a Ásia e o Pacífico um registro ainda mais antigo e indica que os primeiros psicoativos podem ter sido materiais naturais, e não bebidas preparadas. A noz de areca é consumida principalmente no Oriente e aparece como um dos psicoativos mais usados no mundo, atrás do álcool, da nicotina e da cafeína.

Texto produzido pela Redação Caderno do Saber com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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