Marinalva Freitas e José Luiz, de Três Lagoas, tentaram ter filhos biológicos por sete anos. Duas horas depois de entrarem no Cadastro Nacional de Adoção (CNA), receberam uma ligação sobre um bebê que poderia fazer parte da família.
Casados há 11 anos, os dois queriam ter filhos desde o início do casamento. Durante o período de tentativas, procuraram médicos e fizeram exames para investigar a infertilidade, mas nenhuma causa foi identificada.
A possibilidade da adoção já fazia parte das conversas do casal, especialmente porque Marinalva tinha dois irmãos adotados pela mãe. A preparação começou depois que José Luiz aceitou pesquisar o assunto. O processo até a habilitação levou mais de dois anos.
Preparação para adotar
Orientada por uma amiga assistente social, Marinalva procurou o setor psicossocial do Fórum de Três Lagoas. Em março de 2022, o casal passou a participar das reuniões mensais do Grupo de Apoio à Adoção (GRAATA).
Os encontros ajudaram os dois a compreender as etapas da adoção e os desafios relacionados à chegada de uma criança. Depois, vieram cursos, documentos, certificados, entrevistas com psicólogo e assistente social e uma visita à residência.
Em junho de 2023, o casal protocolou o pedido de habilitação. Também definiu o perfil que poderia acolher: uma ou duas crianças de até 10 anos, sem restrição de sexo ou etnia. Os dois ainda declararam que poderiam receber uma criança com doenças tratáveis e aceitar uma adoção dentro de Mato Grosso do Sul.
A habilitação foi concedida no fim de fevereiro de 2024. Para Marinalva, a espera foi difícil, mas também contribuiu para preparar a família. “Foi, no nosso caso, lento e angustiante até esta fase, mas também foi de preparação e conscientização”.
A chegada de José Neto
Depois da habilitação, faltava inserir o cadastro no Sistema Nacional de Adoção, que cruza os perfis de crianças e pretendentes habilitados. Marinalva acompanhava o andamento e enviava mensagens ao fórum para saber quando a inclusão seria feita.
Por volta das 14h de 26 de março de 2024, ela recebeu um e-mail informando que o cadastro havia sido realizado. Naquele mesmo período, o casal soube que um bebê de seis meses poderia ser encaminhado para a família.
Marinalva e José Luiz foram ao Fórum de Três Lagoas para conversar com a equipe responsável pelo processo. Os documentos foram analisados, e a indicação foi considerada compatível com o perfil informado na habilitação. Entre os pontos avaliados estava uma possível alteração auditiva.
Ao receber a primeira fotografia do bebê, Marinalva decidiu seguir com a adoção. Dois dias depois, em 28 de março, o casal foi a Campo Grande para conhecê-lo. O encontro confirmou a decisão.
Após sete dias de organização, José Neto chegou à nova casa aos seis meses de idade. Nos meses seguintes, passou por consultas, exames e avaliações médicas relacionadas à possível alteração auditiva. Os profissionais concluíram que ele não tinha problemas de saúde.
A chegada de Glória
Em maio de 2025, o casal voltou a se preparar para a fila de adoção, dessa vez com o desejo de receber uma menina. Em 12 de junho de 2025, Marinalva e José Luiz estavam em terceiro lugar na fila do município. Os dois primeiros pretendentes tinham preferência por bebês do sexo masculino.
Havia, então, uma menina de 10 dias de vida disponível para adoção. Ela havia chegado ao sistema por meio da entrega voluntária para adoção, procedimento acompanhado pela Justiça e pela rede de proteção.
A mensagem foi recebida em uma quinta-feira. Na manhã seguinte, às 10h, o casal buscou a bebê, que chegou à família com 11 dias de vida e recebeu o nome de Glória. José Neto tinha 1 ano e 9 meses quando conheceu a irmã.
A chegada dos dois filhos foi recebida com alegria pelos parentes de Marinalva e José Luiz, que passaram a acolher as crianças com carinho, respeito e proteção.



