CAMPOS BELOS — As Chaminés de Fadas, formações geológicas localizadas no nordeste de Goiás, começaram a receber turistas em uma fase de testes. A inauguração oficial ainda não ocorreu, e o acesso provisório é feito por convites e inscrições antecipadas.
A abertura oficial está prevista para setembro. O proprietário da área aguarda a confirmação do CNPJ, enquanto um site é preparado para organizar reservas e administrar as visitas.
Regras para a visitação
Na primeira fase, o atrativo poderá receber até 40 visitantes por dia. O limite foi definido para que os responsáveis avaliem os efeitos da circulação de pessoas sobre as formações. “A gente precisa saber ainda o impacto que isso vai ter lá na fragilidade delas, na degradação”, explicou a geóloga Joana Paula Sanchez, coordenadora do laboratório da Universidade Federal de Goiás (UFG) envolvido na organização da visitação.
O passeio deverá ser feito com acompanhamento obrigatório de um condutor local. Em alguns pontos do trajeto, podem se reunir entre 15 e 20 pessoas. Na área específica das formações, porém, a entrada será permitida para grupos de seis visitantes por vez.
A trilha tem aproximadamente 3 km, considerando ida e volta desde o local onde os veículos são estacionados. Rodrigo Ferreira da Silva, responsável pela fazenda, informou que o percurso é considerado fácil e que o passeio completo deve durar cerca de duas horas.
A entrada custa R$ 70 por pessoa. O condutor cobra R$ 200 para grupos de até seis turistas. Os primeiros grupos dos testes reuniram visitantes de Goiânia e Brasília.
Por causa do calor, a orientação é realizar o trajeto das 6h às 10h ou das 15h às 18h. Também é recomendado usar tênis ou botas, levar água e proteger-se com chapéu ou boné.
Preservação das formações
Antes da abertura, o laboratório coordenado por Joana realizou o inventário do patrimônio geológico e elaborou um estudo sobre gestão de risco e segurança. O trabalho definiu os limites de visitantes e os trechos que poderão ser acessados, após alguns meses de preparação.
Os turistas não poderão deixar as trilhas, tocar ou subir nas formações. Também deverão caminhar com cuidado e levar o próprio lixo. De acordo com Joana, o contato com as estruturas preocupa porque possíveis danos podem ser irreversíveis.
Uma área ficará fechada ao público e também à pesquisa, inclusive depois da inauguração oficial. O objetivo é manter um trecho sem interferência humana e preservar parte das formações caso ocorram danos na área aberta à visitação. “Existe uma área bem grande que é restrita ao público e é restrita inclusive à pesquisa”, afirmou Joana.
As Chaminés de Fadas ficam em uma propriedade particular no povoado de Pouso Alto. Esculpidas naturalmente ao longo de milhões de anos, algumas torres chegam a cerca de 4 metros de altura. Segundo Joana, as formações mais antigas têm aproximadamente 80 milhões de anos.
A família proprietária conhecia o local havia anos e Domingos Ferreira da Silva chamava as estruturas de “castelos”. Em 2021, os familiares procuraram pesquisadores para compreender as características geológicas da área e estabelecer as condições para receber visitantes sem comprometer as formações.



