PALMEIRAS DE GOIÁS — A mãe, o padrasto e o fazendeiro que vivia com a família de um menino de 10 anos foram presos nesta segunda-feira (21), em Palmeiras de Goiás, no oeste do estado. A criança foi atingida por disparos de uma arma de pressão na cabeça, e a Polícia Civil investiga o caso como tentativa de homicídio qualificado.
A mãe havia afirmado que o menino teria atirado contra a própria cabeça acidentalmente. Durante a investigação, porém, os policiais identificaram três disparos. Dois atingiram a parte da frente da cabeça, enquanto o terceiro acertou a lateral e atravessou até o cérebro. De acordo com o delegado André Veloso, essa foi a lesão mais grave.
O padrasto disse à polícia que estava fora de casa, em uma fazenda vizinha, por volta do meio-dia, e que não presenciou o disparo. A investigação apontou, contudo, que ele chegou ao local em um horário muito próximo ao tiro. Segundo André, o homem recebeu um telefonema informando sobre o suposto acidente após permanecer 10 minutos na fazenda.
"No ver da Polícia Civil, isso mais parece a tentativa de criar um alibi", afirmou o delegado.
O fazendeiro preso se considerava pai afetivo do padrasto do menino. Quando a Polícia Militar foi à casa da família, ele impediu que os militares conversassem com a mãe, alegando que ela estava abalada. Para André, essa atitude ajudou a convencer o Poder Judiciário de que o fazendeiro poderia estar envolvido no crime ou tentando atrapalhar as investigações.
A hipótese de tiro acidental foi descartada. Os três permanecem presos temporariamente por 30 dias, período em que a polícia pretende individualizar a participação de cada um. As defesas dos suspeitos não foram localizadas.
Relatos de agressões
Vizinhos disseram aos investigadores que os familiares costumavam agredir o menino, principalmente com cintadas. Segundo o delegado, as agressões deixavam marcas nos braços, no tronco e nas pernas da criança.
Na data do disparo, moradores relataram ter ouvido o menino gritar e dizer "mãe". A mãe afirmou que os gritos ocorreram depois dos disparos. Os vizinhos, porém, disseram que foram até a casa no momento do tiro e encontraram a criança caída, sem condições de gritar.



