Tati Mônico nasceu em Goiânia, cresceu em uma fazenda e transformou o sonho de pilotar aviões em profissão. Hoje, mora em Orlando, nos Estados Unidos, comanda um Boeing 737 e reúne 2 milhões de seguidores nas redes sociais, onde mostra a rotina na aviação e compartilha curiosidades sobre aeronaves.
A oportunidade para iniciar a formação surgiu quando a irmã mais velha encontrou um curso para piloto em uma lista de faculdades. Tati fez o curso e guarda como um dos momentos marcantes o voo solo, etapa em que o estudante pilota pela primeira vez sem acompanhamento.
Desafios na carreira
A piloto afirma que enfrentou dificuldades por ser mulher em uma profissão dominada por homens. Em uma das situações relatadas, perdeu o trabalho porque a esposa do patrão não queria uma mulher pilotando. Segundo Tati, até a mãe sugeriu que ela procurasse outra atividade, diante da dificuldade para conseguir emprego.
Ela também conta que ouviu de um comandante que não tinha força para ser piloto. Mesmo assim, continuou a formação e chegou ao posto de comandante de Boeing 737. “Estar aqui, na cabine, com quatro faixas no ombro, é a prova de que sonhos podem, sim, virar realidade”, disse.
Ao longo da carreira, Tati pilotou aeronaves como Aero Boero, Sêneca e Corisco. Para ela, porém, o maior desafio não estava na aviação, mas na maternidade. A piloto é mãe de dois filhos diagnosticados com autismo; um dos diagnósticos ocorreu durante a pandemia de COVID-19.
Conteúdo nas redes
Tati começou a produzir vídeos para ajudar a custear as terapias dos filhos. “Meus dois filhos são autistas e a terapia pros dois custa caro. Foi por isso que eu comecei a gravar”, afirmou.
No perfil, ela explica como funciona a segurança dos voos durante tempestades, apresenta o funcionamento de aeronaves, comenta incidentes e acidentes aéreos e mostra a própria rotina profissional.
Após publicar os vídeos, passou a receber mensagens de mulheres que haviam desistido do sonho de pilotar, mas decidiram tentar novamente depois de conhecer sua história. Tati afirma que continua mantendo hábitos da vida no campo, como sentar no chão para comer e tirar leite da vaca quando vai à roça.


