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Bill Gates defende leis para conter riscos do uso malicioso da IA

Fundador da Microsoft afirma que a tecnologia pode causar um bilhão de mortes e pede participação de autoridades na criação de proteções.

Bill Gates defende leis para conter riscos do uso malicioso da IA

Bill Gates defendeu a criação de leis para regular a inteligência artificial e alertou que a tecnologia pode provocar um bilhão de mortes se for usada de forma maliciosa. O fundador da Microsoft falou sobre o tema em uma entrevista ao programa “Meet the Press”.

Para Gates, a autorregulamentação das empresas não é suficiente. Ele afirmou que autoridades legais e políticos precisam participar da definição de mecanismos de proteção e de monitoramento para a inteligência artificial.

“A IA é certamente poderosa o suficiente para desencadear eventos que causem um bilhão de mortes”, disse Gates. Ele também afirmou que nunca houve uma arma tão poderosa quanto a combinação entre pessoas com más intenções e as ferramentas de IA mais avançadas.

Debate sobre regras para a inteligência artificial

As declarações ocorrem enquanto o governo e o setor de tecnologia discutem como lidar com os possíveis efeitos da IA. O CEO da Anthropic, Dario Amodei, defendeu que os principais laboratórios reduzam o ritmo dos avanços e trabalhem juntos, de forma voluntária, para estabelecer padrões.

Amodei também pediu participação do governo, mas ressaltou que a aprovação de leis pode levar tempo enquanto a inteligência artificial avança rapidamente. Gates, por sua vez, argumentou que é necessário aprovar uma legislação específica para o setor.

O governo federal ainda não definiu como tratará a regulamentação. Líderes republicanos no Congresso têm minimizado o tema, depois de Donald Trump se posicionar contra restrições à inteligência artificial e classificar os pedidos de regulamentação como uma “farsa”.

Está prevista para a próxima terça-feira uma reunião entre Trump, o presidente da Câmara dos Deputados, Mike Johnson, e executivos do setor de IA. O foco do encontro ainda não foi definido, e também não se sabe quais líderes da indústria participarão.

Johnson já declarou que pretende discutir a responsabilidade das empresas pela segurança e o eventual papel do governo. Elon Musk e Sam Altman, chefe da OpenAI, participaram de um jantar de Estado na Casa Branca na quinta-feira.

Projetos em avaliação no Congresso

Johnson e John Thune, líder da maioria no Senado, não demonstraram pressa para aprovar uma legislação sobre inteligência artificial. Johnson tratou como “farsa” os receios de que a tecnologia possa extinguir a humanidade.

Thune apresentou um projeto sobre IA em 2023 e vinha defendendo a regulamentação, mas indicou mais recentemente que não pretende colocar o assunto entre as prioridades. Em meados de setembro, disse que era “provavelmente incerto” a aprovação de uma lei até o fim do ano e classificou como um desafio aprovar qualquer medida no curto prazo.

O senador também informou que Amy Klobuchar, coautora do projeto anterior, busca mais apoio democrata antes de reapresentar o texto no Congresso. A proposta prevê certificação para sistemas críticos de IA, transparência em conteúdos produzidos por inteligência artificial generativa e avaliações de risco obrigatórias pelas empresas.

O projeto também direcionaria novas pesquisas governamentais para identificar conteúdos gerados por IA e definir mecanismos de proteção para o setor. Ainda não está definido se essa ou outra proposta avançará no Congresso ou se será vetada por Trump. Thune afirmou acreditar que o presidente pode estar mais aberto a aceitar medidas de segurança do que demonstra publicamente.

Alertas sobre riscos da tecnologia

O debate ganhou força após Jacob Coxon, ex-pesquisador da Anthropic, anunciar em 9 de setembro que havia deixado a empresa. Ele alegou que pessoas envolvidas no desenvolvimento da IA acreditam que a tecnologia pode matar todos os seres humanos até o fim da década.

Evan Hubinger, líder da ciência de alinhamento da Anthropic, considerou o alerta correto. Segundo ele, executivos do setor acreditam que a IA pode exterminar a humanidade. Hubinger estimou uma chance superior a 10% de isso ocorrer dentro da próxima década e afirmou que a Anthropic ainda não tem um plano para resolver o alinhamento da superinteligência.

A repercussão levou Google, Anthropic e OpenAI a se unirem para criar um grupo dedicado à segurança da inteligência artificial. Durante a Assembleia da ONU nesta semana, Altman e Amodei também defenderam cooperação global e padrões internacionais para a tecnologia.

Texto produzido pela Redação Caderno do Saber com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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