RIO DE JANEIRO — A saída dos alunos do Colégio Tamandaré, no Recreio dos Bandeirantes, foi marcada por medo e dúvidas nesta segunda-feira, dois dias depois de um estudante usar a mesma lanceta para coletar sangue de colegas durante uma feira de ciências. O dispositivo tem uma agulha ou lâmina ultrafina usada para perfurar superficialmente a pele.
Policiais civis, agentes da Vigilância Sanitária e representantes da Secretaria municipal de Saúde estiveram na unidade. De acordo com estudantes e responsáveis, as equipes conversaram com algumas turmas e orientaram os alunos sobre o episódio. Pais também procuraram a escola para saber quais medidas foram adotadas.
Uma estudante do 6º ano participou da feira, mas não teve o sangue coletado. Ela afirmou que o diretor falou com os alunos como se o caso já estivesse resolvido. A mãe contou que a filha voltou para casa abalada, apesar de não ter sido perfurada.
Outra responsável disse que o filho, de 12 anos, não conseguiu retornar às aulas. Segundo ela, o menino foi uma das crianças perfuradas na atividade e continua emocionalmente afetado. “Ele não quis ir para a escola. Eu vim trazer meu outro filho. Ele está muito abalado com o que aconteceu”, afirmou.
Relatos de insegurança
Um dos pais afirmou que a preocupação se espalhou entre os estudantes porque a demonstração também envolveu professores. Segundo o relato, alguns docentes aceitaram ter o sangue coletado por acreditarem que o procedimento era seguro.
“As crianças estavam perguntando se isso era algum tipo de surto”, relatou o responsável. Ele disse que os alunos ficaram preocupados porque professores também teriam se espetado com as lancetas e porque nenhum responsável teria informado que a prática era inadequada.
Na saída, por volta das 12h30, pais e alunos relataram a presença das equipes dentro da escola e deixaram a unidade ainda com dúvidas sobre os riscos relacionados à exposição ao sangue.




