RIO DE JANEIRO — A chuva levou turistas a mudar a estratégia para aproveitar o Rock in Rio. Ana Carolina Freitas, de 23 anos, comprou um guarda-chuva por R$ 50 na fila de entrada, mesmo sabendo que teria de deixá-lo no portão da Cidade do Rock. Ela havia levado um modelo resistente de Lages, em Santa Catarina, mas preferiu proteger a maquiagem, depois de começar a se arrumar às 3h da manhã.
A previsão é de continuidade do tempo frio, chuvoso e encoberto no Rio até o meio da semana que vem. De acordo com o meteorologista César Soares, da Climatempo, sucessivas frentes frias e áreas instáveis que avançam de São Paulo para o estado mantêm o céu carregado e favorecem a chegada de ar mais frio. O meteorologista afirmou que a sequência é incomum para esta época do ano, principalmente sob influência do El Niño.
Turistas adaptam os passeios
As soteropolitanas Poena Del Rey Eça e Mairi Mattos viajaram de Salvador com outras duas amigas para acompanhar o festival. Mesmo frustradas com o cenário nublado, elas mantiveram os planos. “A gente vai curtir com sol ou com chuva”, disse Poena, de 49 anos.
O grupo visitou o Corcovado durante a chuva e percebeu que a capa fina levada para o passeio não foi suficiente. Para o show, as amigas decidiram providenciar capas mais grossas e levar meias extras. Depois de uma melhora passageira no tempo, elas foram ao Pão de Açúcar e conseguiram observar um pôr do sol com o céu alaranjado entre poucas nuvens.
Areia escura e impacto no comércio
No Posto 5, em Copacabana, um trecho da faixa de areia ficou escuro. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) vistoriou o local e apontou duas possibilidades: a exposição de um tipo de mineral após períodos de chuva intensa e vento ou a chegada de poluição pelas galerias de águas pluviais, que extravasam para o mar. A areia é naturalmente formada por diferentes camadas sedimentares.
A mudança no tempo também afeta bares e restaurantes. Pesquisa da Associação Nacional de Restaurantes (ANR) indica que, no Rio, os gastos dos consumidores em bares caem 4,3% em dias chuvosos. Nas sobremesas, a redução chega a 7,7%. Em sentido contrário, o consumo de comida italiana e pizza aumenta cerca de 3%.
Fernando Blower, presidente do Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio (SindRio), afirmou que o setor percebe na prática a relação entre chuva, frio e retração dos consumidores. Marcella Sobral recomenda opções próximas de casa, como bares e restaurantes de bairro, além de locais com varandas cobertas e programações de almoço ou música.



