DUQUE DE CAXIAS — A família do soldado bombeiro Pedro Ernesto dos Anjos Rodrigues, de 24 anos, suspeita que uma disputa pela administração de bens esteja relacionada ao assassinato dele e do companheiro, o estudante de medicina Pedro Henrique Araújo, de 26. Os dois foram mortos a tiros entre o fim da noite de quarta-feira e a madrugada de quinta-feira, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
Pedro Ernesto, segundo os parentes, recebia ameaças desde o início do ano e passou a usar um carro blindado para se proteger. O veículo foi interceptado pelos criminosos no dia do crime. Durante o sepultamento do bombeiro, realizado nesta sexta-feira no Cemitério Memorial do Carmo, em Cordovil, na Zona Norte do Rio, a prima dele, Aline dos Anjos, afirmou que as ameaças estariam ligadas a dinheiro e à administração de parte dos bens da família, incluindo imóveis e lojas comerciais.
“Só queremos Justiça”, disse Aline, sem apresentar mais detalhes sobre a possível disputa. A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), responsável pelo caso, ainda não divulgou uma linha de investigação. A Polícia Civil informou que apura as mortes e que as investigações estão em andamento.
Dinâmica do crime
Pedro Ernesto e Pedro Henrique voltavam para casa em um Taos HL TSI branco quando perceberam que eram seguidos. O bombeiro chegou a telefonar para um parente para relatar a situação. Pouco depois, um veículo, acompanhado por uma motocicleta, interceptou o casal em uma rua do bairro São Bento, onde os dois moravam. Parte da abordagem foi registrada por uma câmera de segurança.
O bombeiro desembarcou, mas foi rendido. As vítimas foram levadas para uma área de mata no bairro Pantanal, em uma região de Duque de Caxias marcada, conforme a descrição do caso, por disputas entre traficantes e milicianos. Os dois foram mortos a tiros e abandonados no local. Nada foi levado pelos autores, segundo as informações da investigação.
Uma pistola com a numeração raspada e 15 projéteis intactos foi encontrada no carro abandonado. Parentes afirmaram que Pedro Ernesto não costumava andar armado e disseram que a arma não pertencia a ele.
O casal estava junto havia mais de três anos. Pedro Henrique era natural do Espírito Santo, onde foi sepultado. Pedro Ernesto ingressou no Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro em 2024 como soldado temporário e depois passou em um concurso para se tornar militar de carreira. Ele era lotado na Diretoria-Geral de Defesa Civil.



