Florianópolis, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Florianópolis 15°C 15° / 17° Mega-Sena 3064: 4 · 10 · 20 · 25 · 27 · 48
A escola, a ciência e o futuro
Brasil

Estudo projeta 13,3 mil mortes no Brasil por calor ligado ao El Niño

Pesquisadores estimam 239 mil mortes no mundo nos próximos seis meses e associam o aumento das temperaturas ao atual episódio de El Niño.

Estudo projeta 13,3 mil mortes no Brasil por calor ligado ao El Niño

Um estudo do Climate Impact Lab, da Universidade de Chicago, estima que 13,3 mil pessoas podem morrer no Brasil nos próximos seis meses em consequência do calor associado ao atual episódio de El Niño. Em todo o mundo, a projeção é de 239 mil mortes, com margem de erro de 11 mil.

O relatório é assinado por Michael Greenstone, Tamma Carleton, Genevieve Maricle e Emily Grover-Kopec. Os pesquisadores calculam que as temperaturas sobre áreas terrestres ficarão 1,2°C acima do normal nos próximos meses, com 44% mais dias de calor extremo do que em um ano considerado normal.

Projeções para diferentes regiões

Os maiores aumentos estimados na mortalidade devem ocorrer principalmente em países do Sul Global. Na região do Sahel, entre o deserto do Saara e a savana do Sudão, são previstas 66,8 mil mortes adicionais relacionadas ao calor entre setembro e fevereiro do ano que vem.

A Nigéria concentra a maior estimativa individual, com 31,4 mil mortes. Também estão previstas 17,5 mil mortes no Sudão, 10 mil no Níger e 8 mil no Chade. No Sudeste Asiático, Filipinas, Vietnã, Tailândia e Camboja somam 19,4 mil mortes adicionais. Para a Indonésia, a projeção é de 19,3 mil.

Na Índia, o relatório calcula 15,8 mil mortes durante o período analisado. No Brasil, a estimativa total é de 13,3 mil.

Entre dezembro e fevereiro, os pesquisadores projetam 15,4 mil mortes adicionais na Nigéria, 10 na Indonésia, 8 mil no Brasil e 7,4 mil na Índia. A concentração dos casos pode variar entre os países. Mesmo depois de fevereiro de 2027, Índia e Paquistão podem registrar crescimento nas mortes relacionadas ao calor durante o verão.

El Niño e medidas de adaptação

A pesquisa relaciona grande parte do aumento das temperaturas ao chamado “Super El Niño”, que começou em junho e deve persistir até a primavera de 2027. Segundo os autores, o cenário previsto se aproxima das máximas que as mudanças climáticas podem produzir daqui a cerca de 20 anos.

O relatório descreve o período como um “cartão-postal do futuro” porque as previsões podem indicar, antes dos eventos, as regiões com maior risco de mortalidade e orientar a destinação de recursos. Entre as medidas citadas estão sistemas de alerta de calor, ações de saúde para populações vulneráveis, centros de resfriamento, postos de hidratação, proteção de trabalhadores e reforço da capacidade dos sistemas de saúde.

O Inventário de Adaptação do Climate Impact Lab também reúne estratégias como financiamento antecipatório, planos de ação contra o calor, visitas domiciliares de profissionais de saúde, ampliação do acesso à água, acompanhamento de sintomas, previsões mais precisas e maior acesso a tecnologias de resfriamento.

Oficialmente, “super El Niño” não é uma classificação científica. O termo é usado para episódios considerados muito fortes, quando o índice de temperatura atinge ou supera 2°C acima da média.

Uma nota técnica conjunta do Inmet e do Inpe aponta 98% de probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte durante outubro, novembro e dezembro de 2026. Nesse período, o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial deve influenciar o clima em diversas regiões do mundo.

Metodologia do estudo

O cálculo foi baseado em pesquisas do Climate Impact Lab sobre a relação entre temperatura e excesso de mortalidade. O modelo considera diferenças regionais relacionadas ao clima local, à vulnerabilidade e à capacidade de adaptação.

Essas relações foram calculadas para mais de 24 mil regiões. Depois, os resultados foram aplicados às anomalias de temperatura projetadas pelo ECMWF SEAS5, quinta geração do sistema de previsão climática sazonal de longo prazo desenvolvido pelo ECMWF.

A comparação considera a mudança no excesso de mortalidade associada à temperatura em relação à média registrada entre 1996 e 2025. A incerteza foi incorporada ao modelo, que utiliza 51 membros de previsão para apresentar uma estimativa central e uma medida de incerteza. Os detalhes completos da metodologia ainda serão publicados em um periódico com revisão por pares.

Texto produzido pela Redação Caderno do Saber com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.