RIO DE JANEIRO — Começaram nesta terça-feira as obras de requalificação do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, conhecido como Feira de São Cristóvão, na Zona Norte do Rio. A reforma terá custo de R$ 10,7 milhões e será realizada pela Secretaria Municipal de Infraestrutura, com projeto desenvolvido pela Empresa Municipal de Urbanização Rio-Urbe.
O trabalho inclui intervenções nas paredes e nas lajes do pavilhão, impermeabilização, pintura e instalação de um sistema de para-raios. Também estão previstas a reforma dos banheiros, com medidas de acessibilidade, e a recuperação do espaço administrativo, da fachada e do letreiro.
As redes do sistema de esgoto e o depósito de lixo também passarão por melhorias. O projeto prevê ações relacionadas à gestão de resíduos sólidos.
O secretário municipal de Infraestrutura, Wanderson Santos, afirmou que a primeira etapa será voltada à recuperação estrutural do entorno do pavilhão e à melhoria dos sanitários, da acessibilidade, da rede de esgoto e da drenagem. “É o início de uma grande revitalização nesse espaço importante para o desenvolvimento econômico, e que gera cultura e riqueza para a cidade”, disse.
História e importância cultural
Projetado por Sergio Bernardes, o Pavilhão de São Cristóvão foi inaugurado em 1962 para receber a Exposição Internacional de Indústria e Comércio durante o governo Juscelino Kubitschek. Em 2003, passou a abrigar a feira nordestina, que funcionava anteriormente no estacionamento em volta do Campo de São Cristóvão.
O pavilhão é tombado por sua importância histórica, turística e cultural e ocupa uma área de mais de 31 mil metros quadrados. A feira se tornou referência na representação da cultura nordestina no Rio e recebe visitantes ao longo do ano.
Elisabeth Oliveira, dona da barraca Xique-xique e viúva de Agamenom de Almeida, líder histórico dos barraqueiros, disse que a estrutura estava muito danificada e que a reforma beneficiará feirantes e público. Gestor da Feira de São Cristóvão, Pedro Porto destacou o potencial do espaço para a economia criativa e para a comunidade nordestina.
A visita do prefeito Eduardo Cavaliere ocorreu no primeiro dia das obras. Ao citar o cineasta pernambucano Johathas de Andrade, autor do documentário “O Levante”, Cavaliere afirmou que a feira precisa de um despertar e que a mudança também envolverá a governança do local.



