O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) admitiu ter negociado com Daniel Vorcaro, do Banco Master, pagamentos para financiar um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A declaração ocorreu após a divulgação de mensagens e áudios que mostram a cobrança de parcelas do acordo.
Antes disso, Flávio negava qualquer ligação da família e da direita com Vorcaro e associava o escândalo do banco ao PT, ao presidente Lula e à esquerda. Em um evento de pré-campanha em Santa Catarina, no último fim de semana, ele usou uma camiseta com a frase "O Pix é do Bolsonaro; o Master é do Lula".
O senador também defendia a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o caso. Em uma publicação de 23 de março deste ano, afirmou que a ligação entre sua família e Vorcaro era uma "narrativa falsa que o Lula tem criado". Em 25 de março, escreveu que "Os lulapetistas têm muito a explicar".
O contrato para o filme
As mensagens indicam que Vorcaro teria repassado R$ 61 milhões para a produção de Dark Horse, que ainda não foi lançada. O valor total combinado seria de US$ 24 milhões, equivalente a cerca de R$ 134 milhões na época. Diante dos atrasos, Flávio teria cobrado do banqueiro a liberação dos pagamentos restantes.
Em nota divulgada na quarta-feira (13/05), o senador afirmou que se tratava de um patrocínio privado para um filme privado. Em vídeo, disse ter conhecido Vorcaro em dezembro de 2024, quando ainda não havia acusações contra o banqueiro, e afirmou que havia um contrato. Também negou ter oferecido vantagens, intermediado negócios com o governo ou recebido dinheiro ou benefício pessoal.
Antes da divulgação das mensagens, porém, Flávio havia sido questionado sobre o financiamento e respondeu: "De onde você tirou essa informação? É mentira".
Vorcaro está preso sob acusação de comandar fraudes bilionárias no Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central em novembro. Ele negocia um acordo de delação premiada.
Acusações contra políticos da Bahia
Ao defender a CPI, Flávio relacionou o caso às operações de crédito consignado do CredCesta, cartão com desconto direto no salário de funcionários públicos e aposentados. Dados enviados pela Receita Federal à CPI que investiga o crime organizado mostram que, entre 2022 e 2024, o Master registrou R$ 2,4 bilhões em receita com a venda dessas carteiras, enquanto as mesmas operações geraram R$ 1,9 bilhão.
O senador citou Rui Costa, ex-ministro da Casa Civil e ex-governador da Bahia, e Jaques Wagner (PT-BA), atual líder do governo no Senado. Costa declarou que apenas vendeu um negócio estatal deficitário para reduzir o prejuízo público e negou irregularidades. Wagner também negou envolvimento em negociações ou contratos.
A empresa da nora de Wagner manteve contrato com o Banco Master durante três anos e recebeu pagamentos da instituição entre 2022 e 2025. Wagner afirmou que a relação se limitou à prestação de serviços ao banco.
Críticas ao PT
Em vídeo publicado no Instagram em 9 de maio, Flávio disse que o PT havia sido contra a CPI e questionou se a oposição à comissão estaria relacionada a políticos da Bahia ou ao recebimento de 11 milhões por uma empresa ligada ao caso.
Em 10 de maio, afirmou que o escândalo do Banco Master "é do Lula". Em outra declaração, disse que a ligação do banco com a direita estava longe de ser comprovada.
Flávio também criticou uma reunião entre Lula e Vorcaro no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024, que não foi registrada em agenda oficial e teria durado cerca de uma hora e meia. O senador pediu que Vorcaro faça delação e apresente informações sobre o caso.




