Florianópolis, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Florianópolis 15°C 15° / 17° Mega-Sena 3064: 4 · 10 · 20 · 25 · 27 · 48
A escola, a ciência e o futuro
Brasil

Flávio Bolsonaro viajou em avião que tinha cota ligada a Daniel Vorcaro

Senador voltou da Flórida a Brasília em janeiro de 2025 com a família e o advogado Willer Tomaz, dono de uma das cotas do jato.

Flávio bolsonaro viajou em jato de vorcaro
Foto: Reprodução

O senador Flávio Bolsonaro viajou da Flórida para Brasília em 19 de janeiro de 2025 em um jato que tinha uma participação adquirida pela Prime You, empresa que contava com Daniel Vorcaro entre os sócios. A viagem foi feita com a mulher, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, as duas filhas do casal e o advogado e empresário Willer Tomaz.

A aeronave era um Legacy 650, de prefixo PP-NLR. Registros de tráfego aéreo, uma planilha de movimentos aeroportuários e informações do Registro Aeronáutico Brasileiro indicam que o avião saiu do Aeroporto Internacional de Fort Lauderdale-Hollywood e pousou em Brasília na mesma data apontada pela Polícia Federal para o deslocamento de Flávio e Tomaz.

Participação no avião

A proprietária formal da aeronave era a Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A., responsável por concentrar a propriedade compartilhada do jato em três cotas. Uma delas pertencia a Tomaz, por meio da Alcazar Holdings. Outra era de Laércio Cosentino, fundador da TOTVS. A terceira havia pertencido a Gabriel Szlezynger Lacerda, da Unigel, e foi vendida à Prime no fim de 2024.

A Prime You já detinha um terço das cotas na data da viagem e também operava o avião por meio da Prime Aviation Táxi Aéreo e Serviços. Conforme informações da própria empresa, Vorcaro foi sócio da Prime You de 2021 até setembro de 2025.

Um relatório da Polícia Federal registra que cada participação de 33,33% valia 5,5 milhões de dólares em maio de 2025. Naquele período, a Prime negociava a transferência de sua cota para o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. O negócio não foi concluído.

A Fraction 024 transferiu 7,6 milhões de reais ao Banco Master, entre setembro de 2024 e setembro de 2025, em 36 operações. No mesmo intervalo, fez pagamentos de 6,5 milhões de reais à Prime Aviation.

Tomaz confirmou que era dono de um terço das cotas e afirmou que a Prime You administrava o jato e sua escala de uso. Segundo sua assessoria, ele só soube em abril de 2026 que Vorcaro teria adquirido uma participação na aeronave. Depois disso, disse ter encerrado o contrato e estar em litígio com a Prime You. “Willer Tomaz não conhece Daniel Vorcaro, jamais esteve com ele e nunca celebrou com ele qualquer negócio — de qualquer natureza.”

A assessoria também afirmou que Tomaz oferecia carona a amigos quando havia assentos disponíveis, sem cobrança ou benefício. Ele não esclareceu se Flávio e os familiares foram seus convidados no voo. Flávio Bolsonaro e a defesa de Daniel Vorcaro não responderam aos pedidos de entrevista.

Relações e investigações

Na passagem pela Flórida, Flávio e Tomaz ficaram no Hard Rock Hotel & Casino entre 18 e 19 de janeiro. Tomaz afirmou que permaneceu no hotel por oito dias e negou ter participado de jogos. A relação entre os dois também inclui outras viagens e o uso, por Flávio, de um apartamento adquirido por uma empresa de Tomaz.

A viagem ocorreu durante as negociações para financiar Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. O acordo previa 24 milhões de dólares, com um primeiro pagamento de 2 milhões de dólares em 20 de janeiro de 2025. A primeira parcela foi transferida em 13 de fevereiro, por meio de uma remessa da Entre Investimentos e Participações para o Havengate Development Fund, nos Estados Unidos.

A Polícia Federal investiga o caminho dos recursos. Em colaboração premiada, Antonio Freixo Junior, conhecido como Mineiro, confirmou pagamentos de 12,3 milhões de dólares ao fundo Havengate e relatou ter feito saques e entregado malas de dinheiro a pedido de Vorcaro. Ainda não foi informado quem recebeu os valores em espécie nem se eles tinham relação com o financiamento do filme.

Texto produzido pela Redação Caderno do Saber com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.