FLORIANÓPOLIS — O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi confrontado com informações públicas sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro e com o filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Horas antes do vazamento de mensagens em que negociava com Vorcaro apoio ao longa-metragem, o parlamentar negou a existência do vínculo: “É mentira! De onde você tirou essa informação?”.
Na noite de quarta (13), porém, ao publicar um vídeo de defesa, Flávio admitiu a relação com o filme e afirmou que a produção não recebeu dinheiro público. O longa, no entanto, teve R$ 2 milhões enviados por meio de emendas parlamentares do deputado federal Mário Frias (PL-SP) à produtora responsável pela obra.
Relação com o Banco Master
Em abril de 2026, Flávio Bolsonaro classificou como “narrativa falsa” a associação entre políticos da direita e da extrema direita e o caso do Banco Master. A Polícia Federal investiga o suposto pagamento de R$ 300 mil mensais, além de outras vantagens, de Daniel Vorcaro ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, em troca de favores no Parlamento.
Ciro Nogueira protocolou no Senado a PEC 65/2023, elaborada pela assessoria do Master. A proposta ampliaria a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e beneficiaria diretamente o banco, mas não avançou na Casa.
As investigações também alcançam doações para campanhas de Jair Bolsonaro à Presidência da República e de Tarcísio de Freitas ao Governo de São Paulo, em 2022. O ex-presidente recebeu R$ 3 milhões, enquanto Tarcísio recebeu R$ 2 milhões de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro e investigado no caso.
Recursos para o filme
Os R$ 2 milhões destinados à produção de Dark Horse foram enviados em 2024 por meio do Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Ferreira Gama. Ela também é dona da Go UP Entertainment, empresa responsável pela pré e pós-produção do filme.
A deputada Tabata Amaral (PSB-SP) protocolou uma ação contra Mário Frias no Supremo Tribunal Federal. A Corte determinou que o deputado explique os repasses. Como ele não foi localizado por oficiais de justiça, o ministro Flávio Dino intimou a Câmara dos Deputados a informar os endereços residenciais do parlamentar no Distrito Federal e em Brasília. O processo segue em aberto.
A Polícia Federal investiga ainda possíveis irregularidades envolvendo recursos de regimes próprios de previdência de estados e municípios e a compra de fundos de precatórios que teriam sido expedidos antes do fim dos processos. Segundo a investigação, os valores repassados por Daniel Vorcaro podem ter origem em dinheiro público.
A disputa pela autoria do PIX
Em maio de 2026, durante o lançamento de candidaturas do PL ao Senado e ao Governo do Estado, em Florianópolis, Flávio Bolsonaro usou uma camiseta com a frase “o PIX é do Bolsonaro”. A mensagem é usada pelo senador e por aliados para atribuir a Jair Bolsonaro a criação do sistema de pagamento instantâneo.
O PIX foi lançado em novembro de 2020, mas começou a ser planejado em 2018, durante o governo de Michel Temer. Naquele período, o Banco Central criou um grupo de trabalho para analisar mecanismos de pagamento instantâneo. Jair Bolsonaro só utilizou o sistema seis meses após o lançamento e demonstrou desconhecimento sobre o processo antes disso.
Imagens usadas para criticar o governo Lula
Em abril, Flávio atribuiu ao governo Lula uma crise de pobreza extrema e usou imagens de pessoas catando comida no lixo. O vídeo, porém, foi gravado em outubro de 2021, durante o governo de Jair Bolsonaro.
O senador também apresentou contradições em declarações sobre o Supremo Tribunal Federal e a reeleição presidencial. Em abril de 2024, classificou como fake news a informação de que era contra o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, após uma entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura.
Na ocasião, afirmou que pedir o impeachment de um ministro do STF não resolveria os problemas do Brasil. Em julho de 2025, entretanto, protocolou no Senado um novo pedido de impeachment de Moraes, alegando que o magistrado havia rompido princípios constitucionais.
Em março deste ano, Flávio apresentou uma PEC pelo fim da reeleição para presidente da República. Dois meses depois, durante o lançamento da chapa de Jorginho Mello ao Governo de Santa Catarina, em 8 de maio, na capital Florianópolis, disse a empresários que pretendia governar por oito anos caso fosse eleito.




