Na sabatina do Jornal Nacional, o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) não apresentou detalhes sobre a prestação de contas de “Dark Horse”. Ele também afirmou que não era sua responsabilidade divulgar informações do contrato firmado com Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, para financiar o filme.
O que aconteceu
“Não firmei contrato com ninguém”, declarou Flávio. Segundo ele, sua participação na produção se limitou a autorizar o uso da própria imagem e a buscar investidores. O candidato disse ainda que o contrato não estava sob sua responsabilidade, ao responder à jornalista Renata Vasconcellos sobre quando o documento com Vorcaro seria tornado público.
O senador reiterou que os pagamentos feitos por Vorcaro foram um “patrocínio privado” para a produção e que não houve utilização de dinheiro público. De acordo com Flávio, o banqueiro era um “investidor” e não recebeu nenhuma contrapartida. Ele afirmou que a negociação foi feita de boa-fé e que não havia irregularidade. Vorcaro é investigado por uma das maiores fraudes financeiras da história do Brasil e está preso.
O senador afirmou que o caso está “mais do que esclarecido”, mas não explicou de que forma os recursos foram utilizados. Depois que o caso veio a público, Flávio havia prometido divulgar as despesas do filme, o que não ocorreu. Durante a sabatina, disse que a prestação de contas foi entregue à Polícia Civil de São Paulo. Ele não foi questionado sobre a suspeita de que parte do dinheiro da produção teria sido usada para manter o irmão Eduardo nos EUA.
Áudios e mensagens indicam que Flávio pediu dinheiro a Vorcaro. Em uma das gravações, feita em novembro de 2025, o senador informa ao banqueiro que as parcelas estavam atrasadas e que atravessava “um momento decisivo do filme”. A conversa teria ocorrido um dia antes da prisão de Vorcaro.
A negociação teria alcançado R$ 134 milhões. Desse montante, R$ 61 milhões teriam sido pagos de fato. Parte dos recursos teria sido enviada pela Entre Investimentos e Participações, que mantinha parceria com empresas de Vorcaro, ao fundo Havengate Development Fund LP, com sede no Texas (EUA) e sob controle de aliados de Eduardo Bolsonaro.
No início, Flávio negou que tivesse solicitado dinheiro a Vorcaro. Ao ser questionado por um repórter, disse que a informação era falsa. Depois da divulgação dos áudios, porém, o senador confirmou que havia uma negociação.
A PF investiga se os valores enviados pelo banqueiro foram realmente destinados ao filme. Uma das hipóteses analisadas é que o dinheiro tenha custeado despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, acusação negada por ele. Flávio não foi questionado sobre essa suspeita durante o Jornal Nacional.
O senador visitou Vorcaro depois da prisão. Questionado sobre a visita, afirmou que mantinha com o ex-banqueiro uma relação restrita aos assuntos do filme e declarou que “quem deve prestar explicações é o Lula.”




