MACEIÓ — Laércio Isidoro do Nascimento Júnior, conhecido como Boss ou Boyzão, foi preso em uma operação integrada das polícias civis do Rio de Janeiro e de Alagoas. Aos 42 anos, ele vivia havia cerca de dois anos em uma cobertura de luxo no bairro Jatiúca, em Maceió, enquanto comandava, à distância, o fornecimento de drogas para comunidades controladas pelo Comando Vermelho (CV) no Rio de Janeiro.
Segundo as investigações, o esquema movimentou cerca de R$ 70 milhões em menos de dois anos. A Polícia Civil afirma que o suspeito falsificava documentos, usava laranjas para movimentar recursos e criou mecanismos para evitar o rastreamento. Ele também planejava ampliar a atuação para o Primeiro Comando da Capital (PCC) e fornecer armas a organizações criminosas.
O delegado Igor Diego Vilela Costa, da Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado de Alagoas, afirmou que Júnior não levantava suspeitas no estado porque não praticava crimes ali e utilizava documentos falsos. “Ele tomava muito cuidado para não aparecer”, disse.
Documentos e celulares
As investigações da Polícia Civil do Rio apontam que o suspeito fraudou identidade, passaporte e a Carteira de Identidade Nacional (CIN). De acordo com a polícia, a CIN havia sido emitida por órgãos oficiais de maneira fraudulenta, em nome de outra pessoa e com dados de filiação diferentes dos verdadeiros.
Com esses documentos, ele conseguia viajar de avião entre os estados e deixar o país sem ser identificado. Para dificultar o rastreamento, trocava de celular semanalmente. Na residência, os agentes encontraram sete caixas fechadas de iPhones, três aparelhos em uso e seis passaportes. Também foram apreendidos uma bolsa com dinheiro, cartões, joias e itens de luxo.
Trajetória investigada
Júnior tem registros e processos por estelionato e fraude. Uma denúncia do Ministério Público de Minas Gerais o aponta como um dos líderes de uma organização criminosa que, em 2016, retirou R$ 225 mil de contas bancárias por meio de fraudes. O grupo, segundo o Ministério Público, obtinha dados sigilosos e senhas de clientes, produzia cartões clonados e recrutava pessoas para realizar os saques. A denúncia foi apresentada em 2023.
Segundo o delegado Alexandre Capote, corregedor-geral da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Júnior se aproximou de integrantes do CV por meio dos crimes de estelionato. Depois, passou a fornecer pequenas quantidades de drogas, viajou para Mato Grosso e Amazonas e ampliou a atuação para o comércio no atacado.
A Polícia Civil afirma que ele trazia drogas de São Paulo com autorização logística do PCC para o transporte pelo estado e utilizava empresas para lavar dinheiro. Conversas obtidas na investigação indicariam ainda contatos com integrantes do PCC e planos de expansão para o fornecimento de armas.



