O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) elevou para 28 anos e 1 mês a pena de Marcelo Fernando Pinheiro da Veiga, conhecido como Marcelo Piloto, pelo assassinato de Lidia Meza Burgos, de 18 anos. O homicídio ocorreu em novembro de 2018, dentro de uma unidade de segurança máxima em Assunção, no Paraguai.
A decisão considerou que o crime envolveu meio cruel, dissimulação e a intenção de garantir a impunidade de outros delitos. A condenação se soma às penas já aplicadas a Marcelo Piloto por tráfico de drogas, associação criminosa e crimes relacionados à atuação do Comando Vermelho no Rio de Janeiro.
Crime durante a prisão
Segundo as investigações, o assassinato foi planejado para impedir a extradição de Marcelo ao Brasil. Durante uma visita, ele atacou Lidia Meza Burgos dentro da cela que ocupava no quartel da Polícia Nacional paraguaia. A jovem, que trabalhava como garota de programa, recebeu 53 golpes de faca e foi encontrada por policiais com a arma cravada no pescoço.
A legislação paraguaia vigente na época previa que um preso não poderia ser enviado a outro país antes de responder e cumprir eventual pena por crimes cometidos no Paraguai. A intenção de Marcelo era abrir um novo processo criminal no Paraguai e interromper o procedimento de extradição.
A estratégia não impediu seu retorno ao Brasil. Dois dias após o assassinato, o governo paraguaio decidiu expulsá-lo e entregá-lo diretamente às forças de segurança brasileiras, sem aguardar o trâmite tradicional de extradição.
Prisão e atuação criminosa
Marcelo Piloto foi localizado e preso no Paraguai no fim de 2017, depois de permanecer cerca de uma década foragido. Antes disso, acumulava mais de 20 mandados de prisão. Sua ficha reunia acusações e condenações por homicídios, roubos, formação de quadrilha, porte ilegal de arma de fogo, receptação, incêndio e dano ao patrimônio público.
Ele era apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho e como responsável pela logística internacional da organização criminosa. As autoridades atribuíram a ele a articulação da entrada de cocaína, fuzis e munições vindos do exterior para abastecer comunidades dominadas pela facção.
Marcelo está preso desde 2018 na Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia, onde cumpre pena no sistema penitenciário federal brasileiro.




