A House Hands Up, primeira house de cultura ballroom de Mato Grosso do Sul, voltou a Campo Grande para uma apresentação de “Peça Única” nesta terça-feira (8). A montagem integra o Palco Giratório, projeto nacional do Sesc, e já passou por outras oito cidades brasileiras. Depois da capital sul-mato-grossense, estão previstas sessões em Belém e São Luís.
Com nove performers, o espetáculo leva para o teatro elementos da dança, da moda, do Vogue e da cultura LGBTQIAPN+. A proposta dos diretores Roger Pacheco e Marcos Mattos é destacar poder, beleza, luxo, performance e resistência, sem construir a narrativa a partir da violência e do sofrimento.
“Peça Única” não segue uma história linear. A dramaturgia reúne diferentes camadas da cultura Ballroom e explora categorias relacionadas à estética, ao desfile, à moda, ao visual, à face e à runway. Para Marcos Mattos, a montagem apresenta outras possibilidades de representação da população LGBTQIAPN+ e valoriza o trabalho profissional dos artistas.
Circulação nacional
A Hands Up é a primeira House do país a participar da programação do Palco Giratório. A circulação passou por Poconé, Porto Alegre, Canoas, Caxias do Sul, Recife, Petrolina, São Paulo e Santa Luzia. Segundo Roger Pacheco, a trajetória amplia a visibilidade da cena Ballroom de Mato Grosso do Sul, que tem cerca de uma década, mas ainda é pouco conhecida fora do Estado.
A participação também permitiu que integrantes viajassem para outras regiões, conhecessem novas cidades e apresentassem seu trabalho a públicos diversos. Além das sessões, artistas da House passaram a ser convidados para júris e eventos ligados à cultura Ballroom.
Roger afirma que a circulação tem aproximado o público desse universo. Após as apresentações, espectadores permanecem nos bate-papos para perguntar sobre o funcionamento das Houses, o uso do termo família e as categorias da Ballroom. “A Ballroom não é só dança”, disse o coreógrafo.
Recepção do público
Antes da estreia da circulação, o grupo receava enfrentar resistência, transfobia ou racismo por reunir pessoas LGBTQIAPN+, negras e trans no elenco. Conforme Roger, a resposta tem sido diferente, com acolhimento por parte dos espectadores.
Em Santa Luzia, a apresentação para um público formado majoritariamente por pessoas idosas foi apontada como uma experiência marcante. A curiosidade dos espectadores também aparece nos encontros após as sessões, quando eles buscam compreender a linguagem e a organização da cultura Ballroom.
Na apresentação em Campo Grande, as irmãs Júlia Maia, maquiadora e lojista, e Bruna Maia, tatuadora, acompanharam o espetáculo. Júlia já conhecia o trabalho da Hands Up; para Bruna, foi o primeiro contato com a montagem.
Júlia conheceu a cena Ballroom depois de se mudar de Três Lagoas para Campo Grande, há cerca de três anos. Para ela, a presença desse movimento amplia a diversidade cultural de Mato Grosso do Sul e pode abrir espaço para novas pessoas interessadas na manifestação artística.
Além de “Peça Única”, outros cinco espetáculos integram a II Mostra Palco Giratório Sesc MS, em Campo Grande, ainda nesta semana. Todas as apresentações são gratuitas.



