FLORIANÓPOLIS — Uma urna instalada junto à pedra fundamental da Igreja Presbiteriana de Florianópolis reúne objetos ligados à história do templo, entre eles pedras, jornais antigos, moedas de prata, um histórico da igreja e uma Bíblia usada pelo missionário James B. Rodgers no início do trabalho presbiteriano na cidade. Localizada na Rua Visconde de Ouro Preto, no Centro, a construção foi inaugurada em 6 de julho de 1913 e conserva características de sua estrutura original.
A presença presbiteriana em Florianópolis começou em 1886, com a visita do reverendo George W. Chamberlain, que realizou cinco conferências no Teatro Álvaro de Carvalho. Em 1898, James B. Rodgers chegou à cidade e consolidou o trabalho na região. A igreja foi organizada oficialmente em 1901, com 34 membros.
A construção do templo começou a ser planejada em 1900, quando uma comissão foi criada para arrecadar recursos. O terreno foi adquirido em dezembro daquele ano. A pedra fundamental foi lançada em 7 de agosto de 1912, ocasião em que a urna foi colocada ao lado da estrutura.
Reformas e preservação
O imóvel foi tombado pelo Patrimônio Histórico Municipal de Florianópolis em 1986, por seu valor histórico, arquitetônico e artístico, e passou a integrar a Área de Preservação Cultural. Para obter a isenção do IPTU, a igreja precisou localizar documentos sobre a propriedade. Como os registros da compra do terreno não foram encontrados, foi necessário recorrer à Justiça por meio de um processo de usucapião. O imóvel foi registrado em cartório em 1995, por determinação judicial.
O templo passou por intervenções ao longo das décadas. Registros de 1941 apontam preocupações com a ampliação dos espaços. Entre 1988 e 1989, uma remodelação alterou estruturas do mezanino e do salão social. Em 2000, uma restauração mais ampla preparou o local para as comemorações do centenário da igreja.
Memória dos apedrejamentos
Quando o trabalho presbiteriano se estabeleceu na região, a igreja foi alvo de protestos e apedrejamentos. Algumas das pedras lançadas contra o templo foram preservadas na urna. Anos depois, durante o processo judicial que buscava confirmar a existência da igreja naquela localidade, três pessoas testemunharam a favor da instituição. Uma delas era filha de um homem que havia participado dos ataques.
A fachada principal tem quatro frontões triangulares, e as faces frontal e lateral contam com grandes janelas verticais. Atualmente, o espaço é usado para cultos e atividades da comunidade. Depois da restauração de 2000, também recebeu melhorias de acessibilidade, incluindo uma estação elevatória.



