MANAUS — O juiz Diogo Oliveira Nogueira Franco, do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), rejeitou o pedido de David Almeida para retirar das redes sociais um vídeo publicado por Hissa Abrahão. A gravação relaciona a morte de uma grávida e do bebê dela a um acidente provocado por um buraco na Avenida Djalma Batista, em Manaus.
David, ex-prefeito de Manaus e candidato ao governo do Amazonas pelo Avante, afirmou que o conteúdo atribui a ele responsabilidade pessoal pelas mortes. Hissa, candidato a deputado federal pelo Republicanos, sustenta no vídeo que o caso está ligado à conservação das vias e ao ritmo das obras de recapeamento da gestão anterior.
A publicação começa com um trecho de entrevista em que David responde que não sente falta do ex-vice-prefeito Marcos Rotta durante a campanha. Ele declara ter “um grupo muito forte e consolidado” e afirma que os integrantes que deixam a equipe são substituídos por pessoas consideradas à altura ou melhores.
Depois, Hissa critica o ex-prefeito e menciona o programa Asfalta Manaus, lançado em 2022 com a previsão de recapear mais de 10 mil ruas. Conforme a fala exibida no vídeo, David teria deixado a Prefeitura de Manaus em março deste ano após entregar menos de 3 mil ruas e gastar R$ 860 milhões na iniciativa.
Caso citado no vídeo
A gravação também aborda a morte da biomédica Giovana Ribeiro da Silva, de 29 anos, grávida de oito meses. O acidente ocorreu em junho de 2025, na Avenida Djalma Batista. Giovana estava na garupa da moto conduzida pelo marido quando o veículo atingiu um buraco sem sinalização. Ela foi lançada contra o canteiro central e morreu no local. O bebê, que receberia o nome de Maria Carolina, também morreu.
Laudo do Instituto de Criminalística do Amazonas apontou a falta de manutenção da via como causa direta do acidente. A Polícia Civil encerrou o inquérito sem indiciar o motociclista. No vídeo, Hissa afirma que as mortes não são “estatística de campanha adversária”, mas resultado de perícia oficial encaminhada à Justiça.
Na decisão, o juiz considerou que, neste momento, não existem elementos suficientes para determinar a remoção imediata por abuso ou ilegalidade. Para ele, o conteúdo faz uma crítica severa à administração de David e estabelece relação entre a manutenção das ruas e o acidente. A definição sobre eventual excesso ainda dependerá de exame mais aprofundado do processo.
O pedido de direito de resposta não foi decidido. A análise ocorrerá depois da defesa de Hissa e da manifestação do Ministério Público Eleitoral. Os dois políticos já foram aliados: em 2022, Hissa ingressou no Avante para disputar uma vaga de deputado federal e participou de ações com David. Atualmente, estão em grupos políticos distintos.



