FLORIANÓPOLIS — Gelson Merísio (PSB) será o candidato ao governo de Santa Catarina por uma frente que reúne setores de centro e de esquerda em oposição ao projeto de reeleição de Jorginho Mello (PL). A articulação envolveu conversas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o presidente do PT, Edinho Silva.
Merísio terá Angela Albino (PDT), ex-deputada estadual e federal, como candidata a vice-governadora. A composição também inclui Décio Lima (PT) e Afrânio Boppré (PSOL) na disputa pelo Senado. Luci Choinacki (PT), Aparecida da Silva (PT), Elaine Cristina Huber (PDT) e Fernanda Klitzke (PT) integram a formação como suplentes.
Trajetória política e aproximação com Lula
Ex-vereador de Xanxerê e ex-presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, Merísio chegou ao segundo turno da eleição para o governo em 2018, pelo PSD. Depois da derrota, afastou-se dos holofotes e passou a atuar no meio empresarial, em contato com os irmãos Batista, da JBS.
Embora tenha construído a carreira em partidos de direita e também tenha sido filiado ao PSDB, Merísio coordenou nos bastidores a campanha de Décio Lima ao governo catarinense em 2022. O petista chegou ao segundo turno após um comício de Lula no centro de Florianópolis.
A entrada de Merísio no PSB foi articulada como alternativa depois de não avançar a possibilidade de candidatura do ex-senador Paulo Bauer. O ex-deputado também buscou interlocução com Geraldo Alckmin e com grupos históricos do PT em Santa Catarina.
A frente pretende aproveitar a divisão no campo da direita, que passou a reunir Jorginho Mello, Caroline de Toni e Carlos Bolsonaro em disputas eleitorais diferentes. Décio Lima deverá concorrer ao Senado, enquanto Merísio busca atrair eleitores de centro sem romper com a agenda progressista ligada à defesa da democracia.
Disputa com o projeto de Jorginho Mello
A estratégia também enfrenta o desafio de superar a lembrança de vídeos em que Merísio apoiava Jair Bolsonaro em 2018. Para seus aliados, a proximidade construída com Décio Lima e a atuação no diálogo entre diferentes setores ajudam a sustentar a nova composição política.
Bruno Mello, filho do governador e estrategista do PL, afirmou que a frente é o principal oponente do projeto de reeleição de Jorginho Mello. O grupo do governador aposta na polarização, enquanto Merísio tenta ocupar um espaço entre a centro-direita e a centro-esquerda.
A formação da chapa foi apresentada em entrevista coletiva. A expectativa da frente é consolidar o voto de esquerda para Décio Lima e Afrânio Boppré e aproveitar a divisão entre candidaturas de direita com discursos semelhantes.



