O candidato do PSB ao governo de Santa Catarina, Gelson Merísio, afirma que o apoio ao bolsonarismo perdeu parte da intensidade emocional no Estado e que essa mudança pode ampliar a disputa eleitoral. Na avaliação dele, o eleitor catarinense continua majoritariamente à direita, mas já não mantém a mesma identificação registrada em 2018.
“Quando acaba a paixão, abre a porta para o argumento”, disse Merísio. Para ele, a hegemonia desse campo político em Santa Catarina resulta da combinação entre a força histórica da direita convencional, a ascensão do bolsonarismo a partir de 2018 e a aproximação do eleitorado evangélico com esse grupo.
Críticas ao governo estadual
Merísio atribui a permanência dessa base política a uma “bolha” mantida pelo governador e candidato à reeleição, Jorginho Mello (PL). Segundo o candidato, o governo estadual investe “uma barbaridade de R$ 1 bilhão” em mídia para impedir que opiniões divergentes alcancem o eleitorado de direita.
O candidato também acusa Jorginho de evitar uma aproximação institucional com o governo federal para não contrariar sua base eleitoral. Ele defende o diálogo entre os governos estadual e federal como primeiro passo para “reencontrar Santa Catarina com o Brasil”.
Merísio afirma ainda que erros da esquerda contribuíram para a incorporação de eleitores evangélicos à base de Bolsonaro. Segundo ele, esse grupo tinha, historicamente, maior proximidade com a esquerda no Estado.
Mudança de posição
A avaliação é feita por um candidato que apoiou Bolsonaro no primeiro turno da eleição de 2018, quando disputava o governo estadual pelo PSD. Merísio afirma que tomou a decisão porque essa era a preferência predominante entre seus eleitores e que buscou ser coerente com o grupo que acompanhava sua trajetória política.
Depois da eleição, porém, ele diz ter mudado de avaliação. O candidato critica a condução da pandemia de covid-19 pelo então presidente e classifica como “criminosa” a atuação do governo nesse período. Para Merísio, houve politização da pandemia e falta de protocolo e atenção técnica.
Em 2022, ele deixou de apoiar Bolsonaro e se aproximou de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por intermédio de Décio Lima (PT). Merísio afirma que o contato com Lula deixou de ser apenas uma escolha entre as opções eleitorais e se transformou em uma convicção.



