CHAPECÓ — A experiência de acompanhar a própria gestação e participar do nascimento da filha fez o médico obstetra Marcus Vinicius Trassi Neves mudar a forma como enxerga as pacientes e suas famílias. Elisa nasceu no Hospital Unimed, em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, filha dele e da também médica Julia Toscan Trassi.
Durante a gravidez, Marcus e Julia decidiram preservar a vivência como pai e mãe. Julia foi acompanhada por outra médica obstetra, que também é madrinha de casamento do casal. Marcus permaneceu ao lado dela como marido e futuro pai, sem assumir o acompanhamento profissional da gestação.
A participação dele no parto surgiu depois de conversas com colegas obstetras. A partir dessas orientações, o casal definiu que Marcus atuaria como médico apenas no momento do nascimento. “Somente ali na hora do nascimento eu ia participar. O resto eu ia ficar como pai”, afirmou.
Medo e alívio no nascimento
O conhecimento sobre obstetrícia não eliminou as preocupações. Marcus disse que ele e Julia tinham consciência de situações que poderiam ocorrer durante a gestação e o parto, o que também provocou medo. Para ele, o período foi marcado pela combinação entre tranquilidade e apreensão.
A emoção aumentou no nascimento de Elisa, diferente de tudo o que o médico havia vivido profissionalmente. Depois que a bebê nasceu, Marcus a colocou perto da mãe. O momento reuniu a alegria de Julia, o choro da recém-nascida e o alívio do casal ao perceber que tudo havia dado certo.
Ele também destacou que a família deveria ser a protagonista do parto, especialmente Julia, que passou pela gestação. O nascimento foi registrado pela fotógrafa de partos Monny.
Mais empatia no atendimento
Depois da experiência, Marcus afirmou que passou a se colocar mais no lugar das pacientes e de seus familiares. O médico relatou que ficou ainda mais atento às queixas e aos medos enfrentados durante a gestação e passou a buscar maneiras de tranquilizar as pessoas.
Para ele, ajudar a paciente a atravessar esse período com o mínimo de medo possível se tornou uma preocupação ainda mais presente no atendimento. A vivência como pai ampliou, segundo Marcus, a empatia que já procurava demonstrar no trabalho.
Como surgiu o nome Elisa
A escolha do nome também teve relação com a profissão de Julia. Ela acompanhou, no final do ano, um parto em que a bebê se chamava Elisa e gostou do nome. Uma semana depois, o casal descobriu a gestação.
Julia, que antes imaginava ter um menino, passou a acreditar que esperava uma menina e que ela se chamaria Elisa. Meses depois, a filha nasceu com o nome que a mãe havia escolhido antes mesmo de saber o sexo do bebê.



