RIO DE JANEIRO — Três homens foram presos em flagrante pela Polícia Civil, suspeitos de aplicar golpes contra passageiros de táxi na Zona Sul do Rio. De acordo com a 9ª DP (Catete), o grupo era formado por criminosos de São Paulo e tinha como principais alvos pessoas idosas.
Os suspeitos direcionavam os passageiros ao pagamento com cartão em equipamentos adulterados. Enquanto a senha era digitada, a informação era capturada e o cartão original era substituído por outro, ligado a uma vítima anterior. Com os cartões e as senhas, os criminosos faziam compras e saques.
Na operação, foram apreendidos 85 cartões bancários, dez máquinas de cartão, cinco placas de veículos e um táxi usado pelo grupo. Entre os cartões estavam os de quatro vítimas identificadas pela investigação e o de um turista estrangeiro.
O veículo foi encontrado perto da praça do Largo do Machado, no Catete, com apoio do monitoramento da Central de Inteligência, Vigilância, Tecnologia em Apoio à Segurança Pública (Civitas). Um suspeito foi detido no local.
Como o golpe funcionava
A investigação começou depois que uma vítima informou ter ficado sem o cartão durante o pagamento e recebido outro no lugar. A análise de imagens e dados de inteligência levou os policiais a um automóvel usado como táxi, mas sem identificação de cooperativa. As placas eram trocadas com frequência: em oito dias, o carro foi visto com quatro diferentes.
Segundo a polícia, o motorista recusava dinheiro ou Pix sob a justificativa de não ter troco. A máquina simulava uma falha na leitura, enquanto um aplicativo em um celular registrava a senha. Depois, o cartão era substituído por outro semelhante, previamente deixado no veículo.
Uma aposentada de 73 anos percebeu a troca na terça-feira e tentou recuperar o cartão. O motorista fugiu com o carro, levando a bolsa dela. O cartão que ficou com a mulher pertencia a outra pessoa vítima do mesmo golpe, o que ajudou a relacionar os casos.
O delegado Leandro Aquino, titular da 9ª DP, orientou passageiros a não entregar o cartão ao motorista, a fazerem eles mesmos a operação na máquina e a conferirem o cartão devolvido. Ele também recomendou o registro de ocorrências quando houver compras não reconhecidas ou troca do cartão.
Após a abordagem, os agentes foram a um imóvel alugado temporariamente no Santo Cristo, na Zona Norte, usado como base pelo grupo. Outros dois suspeitos foram presos no endereço, onde também foi recuperado um objeto levado de uma vítima.
A investigação aponta que os envolvidos se deslocavam entre São Paulo e o Rio de Janeiro para cometer os crimes. Um dos presos já tinha sido detido por prática semelhante. A polícia ainda busca possíveis vítimas e outros integrantes da associação criminosa.



