RIO DE JANEIRO — A Prefeitura do Rio de Janeiro criou o programa Reviver Cinema para recuperar antigos cinemas de rua e transformá-los em espaços culturais. A iniciativa prevê a reabertura de salas históricas, a construção de equipamentos multiúso e parcerias com a iniciativa privada.
Entre os imóveis incluídos está o antigo Cine Matilde, em Bangu, fechado desde os anos 1990. O prédio será desapropriado e ganhará um teatro para 250 pessoas, duas salas de cinema, área para exposições e espaço de convivência com bar e restaurante no rooftop.
Inaugurado em 15 de março de 1963, o Cine Matilde funcionava na Avenida Ministro Ary Franco, na galeria que tinha o mesmo nome. A sala contava com 1.360 poltronas estofadas, tela oval e sistema de refrigeração central. O cinema foi idealizado pelo comerciante Antônio Gama da Silva, que escolheu o nome em homenagem à mulher.
Reabertura de salas e novos investimentos
O programa municipal foi dividido em três etapas. A primeira reúne equipamentos já existentes. O Cinema Nova Brasília, no Complexo do Alemão, será reaberto este mês depois de uma reforma de R$ 580 mil e terá tela com resolução 4K. O Cine Santa, instalado em um imóvel municipal, ganhará uma segunda sala no andar superior no fim do ano.
O Grupo Estação também reabrirá, em novembro, o endereço onde iniciou suas atividades, na Rua Voluntários da Pátria 88. O local recebe investimento de R$ 1,5 milhão. Parte da contrapartida será realizada por meio da distribuição de ingressos para professores e de ações de formação de plateia entre estudantes da rede pública.
A prefeitura ainda pretende anunciar a reabertura imediata de uma sala tradicional durante a 1ª Semana de Arte do Rio, marcada para ocorrer entre os dias 16 e 27.
Na segunda etapa estão o Cine Vaz Lobo e o Cine Costinha, no Cachambi, ambos em processo de desapropriação. Os custos das reformas ainda estão sendo levantados, e a previsão é iniciar as obras no ano que vem.
O secretário de Cultura, Lucas Padilha, afirmou que os imóveis deverão funcionar como centros culturais, com atividades que ultrapassem a exibição de filmes. A terceira etapa será dedicada ao mapeamento, pela RioFilme, de outros espaços que abrigaram cinemas e possam ser desapropriados e convertidos em equipamentos multiúso.
Projetos em Vaz Lobo e Niterói
O Cine Vaz Lobo é acompanhado pelo Movimento Cine Vaz Lobo – Preservação, Cultura e Memória (MCVL), integrado pelo historiador e pesquisador André Pereira. O grupo elaborou um projeto de restauração e o encaminhou à prefeitura. Pela proposta municipal, o prédio receberá cinema, teatro e áreas para atividades culturais e comunitárias.
O antigo Cine Cachambi, desativado há quarenta anos, também deverá ter uma nova utilização cultural. O imóvel ainda conserva, em ruínas, a sala de exibição na rua que leva o nome do bairro.
Em Niterói, a prefeitura investe R$ 61,6 milhões na restauração do antigo Cine Icaraí. O prédio, tombado como patrimônio histórico e reconhecido pela arquitetura art déco, será reaberto em abril do ano que vem como Cine Concerto Sérgio Mendes.
O complexo terá atividades de cultura, entretenimento, lazer e gastronomia, além de restaurante e áreas de convivência com vista para a Baía de Guanabara. A restauração da fachada integra a preservação das características arquitetônicas originais à arquitetura contemporânea.



