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A frase dos leões e das ovelhas não tem autoria comprovada

A citação associada a Alexandre circula entre diferentes autores, mas não aparece nos principais relatos antigos sobre o rei macedônio.

A frase dos leões e das ovelhas não tem autoria comprovada

A frase sobre um exército de leões liderado por uma ovelha e um grupo de ovelhas comandado por um leão não tem autoria comprovada. Embora seja frequentemente associada a Alexandre, o Grande, ela não aparece nos principais relatos antigos conhecidos sobre o rei macedônio.

A formulação é usada para resumir situações em que pessoas competentes não conseguem transformar suas capacidades em resultado coletivo. Também aparece em contextos opostos, nos quais um grupo comum alcança mais quando conta com direção clara e alguém disposto a decidir e assumir a responsabilidade pela decisão.

O problema da atribuição

Os relatos antigos sobre Alexandre são conhecidos e delimitados. Entre os autores estão Arriano, Plutarco, Quinto Cúrcio e Diodoro Sículo. Nenhum deles registra a frase.

Mesmo os discursos atribuídos a Alexandre nessas obras não podem ser tratados automaticamente como transcrições literais. Na historiografia antiga, era uma convenção que o autor redigisse as falas do biografado. Por isso, atribuir uma citação exata a um rei do século 4 antes de Cristo exige uma evidência que a documentação não oferece nesse caso.

Formulações semelhantes aparecem em provérbios árabes antigos e em registros associados ao escritor inglês Daniel Defoe, autor de “Robinson Crusoé”. A frase também é atribuída a Napoleão e a Talleyrand. A circulação entre vários nomes é um sinal de que a origem não está estabelecida: quando há registro, a autoria tende a permanecer estável; quando não há, a frase pode ser ligada a diferentes figuras de autoridade.

Uma ressalva registrada por Taleb

O ensaísta libanês-americano Nassim Nicholas Taleb citou a formulação no livro “Arriscando a Própria Pele”, de 2018, e a classificou como provavelmente apócrifa. Ao mencionar Alexandre, escreveu: “Alexandre, ou quem quer que tenha proferido esse provérbio”.

Taleb usou a imagem em uma discussão relacionada à noção de minoria ativa e intolerante. Ao mesmo tempo, deixou registrada a dúvida sobre a autoria, algo pouco comum quando a frase é apresentada como uma citação histórica.

O que a metáfora deixa de fora

A imagem descreve um grupo de indivíduos excepcionais prejudicado pela fragilidade de quem o comanda. Entre os sinais associados a esse cenário estão indecisão crônica, comunicação interpretada de maneiras diferentes, ausência nos momentos de pressão e transferência de culpa para os liderados.

No sentido inverso, pessoas comuns podem entregar mais quando têm orientação definida e uma liderança que decide e assume as consequências. A ideia central não é o carisma, mas a coordenação: talento individual não se transforma automaticamente em desempenho coletivo.

A metáfora, porém, concentra o peso da explicação no líder e dá pouca atenção aos liderados. Isso limita sua aplicação a grupos que dependem de autonomia e colaboração horizontal. Nesses contextos, a concentração de decisões em uma única pessoa pode sufocar as iniciativas do próprio grupo.

A frase também não separa liderança de autocracia. Centralizar decisões pode produzir resultados no curto prazo, mas cria dependência estrutural no médio. Uma equipe que só funciona quando determinada pessoa está presente permanece frágil.

Sem autoria comprovada, a formulação continua sendo usada por descrever uma situação reconhecível, e não por ter sido validada por Alexandre. A questão deixada pela metáfora é saber se o grupo avança por causa de quem o lidera ou apesar dessa pessoa.

Texto produzido pela Redação Caderno do Saber com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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