Robson Calixto da Fonseca, conhecido como “Peixe”, intermediou um pedido de emenda parlamentar de R$ 199.999,79 ao gabinete do senador Flávio Bolsonaro. O recurso foi destinado a um projeto esportivo de futebol infantil ligado à entidade Ifop, na Taquara, Zona Oeste do Rio de Janeiro, área de atuação dos irmãos Brazão.
Calixto é ex-policial militar e ex-assessor de Domingos Brazão no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. As investigações da Polícia Federal o apontaram como um dos principais interlocutores de Domingos e Chiquinho Brazão, acusados de serem os mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em março de 2018.
Em fevereiro de 2026, o Supremo Tribunal Federal condenou Calixto a 9 anos por organização criminosa armada. A decisão considerou sua participação na estrutura miliciana associada aos irmãos Brazão.
Relação com o caso Marielle
De acordo com a delação premiada de Ronnie Lessa, assassino confesso de Marielle Franco e Anderson Gomes, Calixto o apresentou aos mandantes do crime e providenciou a submetralhadora HK MP5 usada nas mortes.
A acusação da Procuradoria-Geral da República descreveu Calixto como homem de confiança dos Brazão. Ele seria responsável por transmitir ordens e manter a lealdade de integrantes ligados à milícia. A Polícia Federal também o identificou como intermediário entre os irmãos e outros envolvidos na organização criminosa.
Pedido de emenda
A negociação da verba ocorreu entre outubro e novembro de 2023. Enquanto as investigações sobre o caso Marielle estavam em andamento, Calixto procurou Maria de Fátima Bezerra Castro, secretária parlamentar do gabinete de Flávio Bolsonaro no Senado Federal.
O contato da assessora estava salvo no celular apreendido pela Polícia Federal como “Fafá Flávio Bolsonaro”. O dinheiro foi direcionado ao projeto esportivo ligado ao Ifop, na Taquara.
Em nota, a defesa de Flávio Bolsonaro afirmou que a emenda foi executada dentro da legalidade. Segundo a defesa, a entidade beneficiária apresentou notas fiscais dos materiais comprados e devolveu os valores que não foram utilizados. A aplicação dos recursos, conforme a manifestação, caberia à entidade, e não ao parlamentar.
Emendas parlamentares permitem que senadores e deputados federais indiquem recursos do orçamento da União para projetos e obras em suas bases eleitorais. Os valores podem ser destinados a áreas como saúde, educação, segurança, infraestrutura e cultura.



