SAQUAREMA — O número de estudantes matriculados na Educação de Jovens e Adultos (EJA) em Saquarema cresceu 126%, passando de 630 para 1.424. O resultado ocorre em sentido oposto ao observado nas redes públicas do Brasil e do Estado do Rio, que tiveram redução nas matrículas entre 2021 e 2025. A queda foi de 24,9% no país e de 31,6% no estado.
A trajetória de Ana Carla Silva, de 58 anos, representa parte dos estudantes que retornaram à escola no município. Assistente social, ela precisou reaprender a ler depois de sofrer dois AVCs, em 2018. Moradora de Saquarema desde 2024, encontrou na EJA municipal a oportunidade de voltar à sala de aula e atualmente está matriculada no 1º ano do Ensino Fundamental.
A filha de Ana Carla, Juliana Bastos, de 26 anos, acompanha sua rotina escolar. Ela relata que a mãe retomou os movimentos e passou a se dedicar novamente à leitura, depois de um período em que a família acreditava que ela não conseguiria voltar a andar.
Na avaliação da psicóloga educacional Christiane Wickbold, que atua no Centro Municipal de Educação Menaldo Carlos de Magalhães, onde Ana Carla estuda, a EJA também contribui para a convivência entre os alunos. O ambiente escolar, segundo ela, substitui o isolamento em casa por vínculos, amizades e sentimento de pertencimento.
O trabalho de Saquarema na modalidade recebeu a Medalha Paulo Freire, concedida pelo Ministério da Educação a 20 cidades de todo o país. No Estado do Rio de Janeiro, Saquarema e Maricá foram os municípios contemplados.
A prefeita Lucimar Vidal afirmou que a alfabetização contribui para a liberdade e a autonomia. Ela também associou o reconhecimento nacional ao compromisso do município com moradores que desejam estudar e retomar seus planos.



