BRASÍLIA — O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, pediu que os autos de um inquérito sobre fraudes cometidas por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sejam encaminhados aos demais ministros da Corte. A solicitação também envolve outros 14 processos relacionados às investigações.
O ministro André Mendonça retirou o sigilo dos casos e informou que seu gabinete prepararia cópias digitais para a Presidência e os demais gabinetes. O despacho foi publicado na noite desta quinta-feira (10).
“Registro que estão sendo adotadas as providências administrativas necessárias à remessa de cópia integral dos referidos autos, em HD próprio, à Presidência e aos Gabinetes dos eminentes Ministros”, escreveu Mendonça.
Disputa entre ministros
A medida ocorre em meio a uma sequência de decisões envolvendo Mendonça, Fachin e Alexandre de Moraes. Fachin havia retirado Moraes da relatoria do inquérito das Fake News, aberto de ofício há sete anos. Antes disso, Moraes incluiu Mendonça no processo, sob a alegação de que o ministro seria parcial e conduziria as investigações contra adversários.
Mendonça também afastou do cargo o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos, após acusar Moraes de usar um relatório secreto da corporação para fundamentar uma decisão. O documento foi descrito como apócrifo e sem valor probatório. Depois, o ministro Flávio Dino reconduziu o delegado ao posto por meio de uma decisão cautelar.
Fachin posteriormente reverteu os atos de Mendonça e Dino e marcou para o próximo dia 15 uma sessão plenária sobre eventuais medidas contra Moraes. Entre os temas está o pedido de Mendonça para que Moraes seja investigado por ligações com Daniel Vorcaro.
Fachin também liberou aos gabinetes dos ministros a íntegra do processo relacionado a Moraes. A definição sobre o formato da sessão ainda era discutida: o presidente do STF previa um encontro presencial e aberto ao público, enquanto parte dos ministros defendia uma reunião a portas fechadas.



