Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante) evitaram confrontos diretos entre si e concentraram críticas no Supremo Tribunal Federal e em Samara Martins (UP) durante um debate entre candidatos à Presidência. Os dois também fizeram ataques a Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), enquanto trocaram elogios ao longo do encontro.
Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD), que haviam confirmado presença, desistiram de última hora. Lula e Flávio Bolsonaro não confirmaram participação. Transmitido pela internet, o debate reuniu candidatos que apareciam com até 1% nas pesquisas da Atlas/Intel: Samara, Cury e Zema.
Propostas para o STF
Zema afirmou que o Supremo se transformou no “tribunal da bandidagem” e defendeu uma reforma no Judiciário. O ex-governador de Minas Gerais disse ter sido o único chefe de Executivo estadual a protocolar pessoalmente um pedido de impeachment de Alexandre de Moraes.
Cury propôs mandato de oito anos para ministros do STF, além de mudanças na composição e na escolha dos integrantes da corte. Ele afirmou que o tribunal tem atuado como legislador e atribuiu o desequilíbrio entre os Poderes à fragilidade do Congresso e à interferência do Executivo.
Zema apoiou as propostas de Cury e acrescentou a criação de idade mínima de 60 anos para ministros, o fim das decisões monocráticas e restrições a atividades políticas de parentes de magistrados no âmbito de atuação deles. Os dois defenderam punições para integrantes do Judiciário envolvidos em irregularidades.
Os candidatos também citaram corrupção e envolvimento com o que chamaram de “o banco de Vorcaro”. Cury se referiu a Zema como “meu amigo Zema”.
Economia e violência contra mulheres
Samara questionou Zema sobre uma política externa que, na avaliação dela, poderia ser submissa aos Estados Unidos ou à China. Ele defendeu a saída do Brasil do Brics, o fortalecimento de blocos econômicos e a ampliação dos parceiros comerciais. Também apoiou privatizações e mencionou a Venezuela ao responder à candidata.
Na economia, Samara defendeu políticas para pequenos empreendedores, redução da jornada de trabalho e combate à pejotização. Cury propôs dividir o BNDES para ampliar o atendimento a microempresas.
Ao ser questionado por Samara sobre segurança pública e violência contra mulheres, Cury defendeu o uso de drones, além da integração, do equipamento e da valorização das forças de segurança. Ele citou a Polícia Federal, as polícias Militar e Civil e as guardas municipais.
Samara afirmou que a proteção das mulheres também depende de independência econômica. Entre as medidas citadas por ela estão moradia, renda, creches, lavanderias coletivas, restaurantes populares e responsabilização de plataformas digitais pela disseminação de conteúdo misógino.
Críticas ao Bolsa Família
Zema e Cury criticaram o aumento do Bolsa Família anunciado a 17 dias das eleições. O benefício foi elevado em 15%. Cury afirmou que Lula estaria usando “a dor dos outros para conquistar a Presidência”, mas defendeu o reajuste.
Zema classificou o anúncio como eleitoral e, ao mesmo tempo, disse que o Bolsa Família é importante. Ele também defendeu uma “porta de saída” para o programa.



