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Zuenir Ventura relembrou boato que anunciou sua morte em 1999

Crônica narrou como uma ligação para um telefone antigo provocou a publicação de uma falsa notícia sobre a morte do jornalista.

Zuenir Ventura relembrou boato que anunciou sua morte em 1999
Foto: Antônio Scorza/Agência O Globo

Zuenir Ventura morreu em 22 de setembro, aos 95 anos, mas já havia sido dado como morto 27 anos antes. O episódio foi recontado na crônica “O dia em que morri”, publicada em 1999, depois que jornais de várias partes do país divulgaram a informação falsa.

A confusão começou em 9 de outubro de 1999, quando um repórter da Agência Estado ligou para um telefone antigo do jornalista. Uma mulher que atendeu afirmou, chorando, que trabalhava com a família havia 14 anos e que Zuenir teria morrido em um acidente de carro na Lagoa.

A informação fez redações interromperem o trabalho e levou amigos e parentes a procurarem notícias. Mauro Ventura, filho de Zuenir e também jornalista, passou três horas buscando o corpo do pai em hospitais do Rio de Janeiro, conforme relatou em depoimento ao Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro (MIS).

A ligação, porém, havia sido uma brincadeira da nova dona da linha, que estaria cansada das chamadas destinadas ao antigo proprietário. Naquele momento, Zuenir participava da cerimônia de reinauguração do Instituto Moreira Salles, ao lado do então Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, do governador Anthony Garotinho e do prefeito Luiz Paulo Conde.

O jornalista contou que a imprensa descobriu sua presença no evento por volta das 9 horas da noite, embora a notícia apontasse sua morte às 16h. Repórteres e fotógrafos aguardaram sua saída, e as redações determinaram que ele fosse ouvido. Ao ser questionado sobre como estava, respondeu que estava melhor no Além.

Ao chegar em casa, Zuenir leu as notícias sobre a própria morte e disse: “Passei a acreditar no que estava lendo”. A crônica também registrou sua avaliação de que a informação era precisa demais para parecer falsa e comparou a situação ao personagem Brás Cubas, que narra a própria história.

O episódio levou o jornalista a questionar a velocidade da internet, que ainda começava a se expandir no Brasil. Anos depois, em depoimento ao projeto “Depoimentos para posteridade”, do MIS, ele voltou ao tema ao comentar a rapidez das mensagens no Twitter e a ideia de produzir textos com 140 toques.

Zuenir também reclamou do tamanho do obituário publicado. Segundo ele, a nota dizia que sua última coluna sairia no dia seguinte em O Globo. Por isso, afirmou que a notícia tinha sido pequena.

Texto produzido pela Redação Caderno do Saber com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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