Menos de 15% dos estudantes que ingressam no ensino superior no Brasil se matriculam em cursos de licenciatura, aponta o Anuário Brasileiro da Educação Básica 2026. O levantamento também registra que 20,2% dos graduandos alcançaram nível adequado na Prova Nacional Docente, realizada pelo Ministério da Educação.
Os microdados da sala de segurança do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) indicam recuo, desde 2020, na nota média do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) entre os ingressantes em licenciaturas. Em 2024, 14,7% desses alunos estavam entre os 20% melhores resultados do exame. Nos cursos de Direito e Medicina, os índices foram de 32,6% e 81,2%, respectivamente.
O anuário relaciona os dados ao desinteresse dos jovens pela formação de professores, à falta de reconhecimento da carreira docente, às deficiências na formação inicial e às desigualdades étnico-raciais e socioeconômicas, que reduzem as chances de conclusão dos estudos.
Diferenças entre modalidades de formação
O Panorama dos professores brasileiros mostra diferenças nos resultados da Prova Nacional Docente, descrita no levantamento como o Enade das Licenciaturas, de 2025. Entre os participantes de cursos a distância (EaD), 53,1% ficaram abaixo do nível básico de pontuação. Entre os estudantes presenciais, esse percentual foi de 26,1%, enquanto 31,9% alcançaram o nível adequado.
Mesmo com a baixa procura pelas licenciaturas, aumentou o número de professores com graduação no ensino superior, em cursos EaD ou presenciais. Nos últimos 10 anos, o percentual recuou 11,3%. No ensino médio, um em cada três professores com diploma não leciona na área em que se formou.
As matrículas no ensino médio técnico passaram de 764 mil em 2015 para 1,58 milhão no ano passado.
Dados reunidos no anuário
Organizado pelo Todos Pela Educação, em parceria com a Fundação Santillana e a Editora Moderna, o anuário está na 13° edição. A publicação compara indicadores desde 2005 e inclui dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).
O levantamento reúne informações dos 26 estados brasileiros e do Distrito Federal e aborda áreas como educação infantil, ensino fundamental, ensino médio, educação profissional e tecnológica, gestão escolar, financiamento, equidade étnico-racial, educação inclusiva e infraestrutura escolar.



