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Educação

OCDE aponta caminhos para enfrentar a falta de professores e renovar a carreira

Relatório mostra diferenças entre Brasil e média da OCDE em qualificação, satisfação, investimento e permanência na docência.

OCDE aponta caminhos para enfrentar a falta de professores e renovar a carreira

A escassez de professores atinge diferentes sistemas educacionais e é mais intensa em algumas disciplinas, como matemática, ciências e línguas. O diagnóstico está no relatório Education at a Glance 2026, divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) nesta terça-feira (29).

O documento reúne dados sobre escolaridade, matrículas, financiamento e organização do ensino. Entre as medidas apontadas para tornar a docência mais atrativa estão a melhoria das condições de trabalho, a formação continuada, a autonomia pedagógica e a criação de trajetórias profissionais mais valorizadas.

Onde a falta de professores aparece

Em alguns países, a dificuldade de preencher postos docentes pode ser observada diretamente nas vagas abertas. Na Letônia e em Luxemburgo, cerca de 4% dos cargos do ensino secundário estavam desocupados no início do ano letivo.

A distribuição do problema varia entre as áreas do conhecimento. Andreas Schleicher, diretor de educação e competências da OCDE, afirmou que a escassez é mais frequente em matemática, ciências e segundas línguas ou outras línguas do que em educação física e estudos sociais. “A disciplina importa mesmo”, disse.

A disputa por profissionais qualificados também ocorre em outros setores, como saúde e tecnologia. O relatório registra ainda a presença de docentes que não têm todas as qualificações exigidas nacionalmente. No Brasil, 9% dos professores das instituições públicas não estavam plenamente qualificados, enquanto a média da OCDE, considerando os docentes do ensino primário e secundário, foi de 9,1% em 2024/25.

A ausência de certificação formal, segundo Andreas Schleicher, não indica necessariamente falta de capacidade para ensinar. Ele defende atenção às pessoas que chegam à docência por caminhos alternativos e que ainda não concluíram todas as exigências formais.

O envelhecimento dos profissionais amplia o desafio: nos países da OCDE, um em cada quatro professores do ensino secundário tem 55 anos ou mais. Comunidades rurais e vulneráveis também aparecem entre os contextos em que a falta de docentes tende a ser mais grave.

Permanência e condições de trabalho

No Brasil, 10,3% dos professores plenamente qualificados do ensino primário e secundário deixaram a profissão em 2022, por aposentadoria ou exoneração. A média da OCDE foi de 6,4% em 2024/25.

Os níveis de satisfação também diferem. Entre os professores brasileiros dos anos finais do ensino fundamental, 22,3% declararam estar satisfeitos com os salários, ante 38,7% na média da OCDE. Em relação às condições de trabalho, excluindo a remuneração, o índice brasileiro foi de 44,3%, diante de 68,4% na organização.

A carga mínima obrigatória do professor brasileiro é de 800 horas de aula por ano, em média. No conjunto que vai do ensino primário ao superior, o investimento por estudante no Brasil é de US$ 4,1 mil, cerca de R$ 21,7 mil, menos de um terço dos US$ 13,6 mil, aproximadamente R$ 72,1 mil, registrados na média da OCDE.

Nos anos iniciais do ensino fundamental, o país investe US$ 4.064, cerca de R$ 21,5 mil, por aluno. A média da organização é de US$ 12.893, aproximadamente R$ 68,3 mil. Nos anos finais, os valores são de US$ 4.390, cerca de R$ 23,3 mil, no Brasil, e US$ 14.291, aproximadamente R$ 75,7 mil, na OCDE.

O Brasil destina 4,5% de seu PIB à educação, mas o percentual inclui diferentes etapas, entre elas o ensino superior. Por isso, a participação da educação na economia não mostra quanto chega especificamente a cada estudante da educação básica.

Para o diretor da OCDE, salários adequados ajudam a evitar a saída de professores, mas não são, sozinhos, o principal elemento de atração. O relatório também ressalta que o volume de recursos não garante automaticamente melhores resultados: a forma como o dinheiro é aplicado tem papel central.

Formação e novas demandas

As projeções indicam que a população brasileira de crianças de 5 a 14 anos deve diminuir 3% entre 2024 e 2033. A mudança pode reduzir a demanda por professores se outras políticas permanecerem inalteradas, mas a OCDE considera que o tamanho das turmas, a saída de profissionais e o financiamento também influenciam essa necessidade.

A docência como segunda carreira já é mais comum no Brasil do que na média da organização. Entre os professores dos anos finais do ensino fundamental, 11,5% vieram de outras áreas, contra 8,4% na OCDE.

O relatório recomenda aproximar a formação inicial da prática, ampliar a formação continuada, melhorar a infraestrutura e o apoio da gestão, além de oferecer tempo para planejamento. Também defende mais autonomia para que os professores adaptem práticas e tomem decisões de acordo com o contexto das escolas.

A valorização social da profissão e planos de carreira mais atrativos aparecem entre as medidas para reter profissionais. O documento ainda destaca a necessidade de preparar os docentes para mudanças tecnológicas e sociais, com desenvolvimento de competências ao longo da carreira.

No lançamento do relatório, Andreas Schleicher relacionou essas mudanças ao uso da inteligência artificial e à necessidade de fortalecer o pensamento crítico. Para ele, o papel do professor passa a incluir o apoio aos estudantes na navegação por informações complexas e na construção do conhecimento.

Texto produzido pela Redação Caderno do Saber com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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