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A escola, a ciência e o futuro
Educação

Pedro Bandeira propõe apoio especializado para alunos com dificuldade de leitura

Escritor defende que professores tenham suporte para acompanhar estudantes com baixo letramento e relata como a escola marcou sua trajetória.

Pedro Bandeira defende que estudantes com dificuldade de leitura recebam acompanhamento especializado, fora da rotina comum da sala de aula. Para o escritor, esses alunos não devem ser classificados como preguiçosos ou maus estudantes, porque os problemas de letramento não são uma escolha individual.

A proposta apresentada por Bandeira é a criação de uma estrutura de apoio semelhante a uma UTI hospitalar. Em uma turma de 30 alunos, ele considera que uma professora especializada poderia acompanhar os cinco que precisam de um trabalho mais intensivo, sem que o restante da classe ficasse sem atenção.

Um caminho gradual até o livro

O trabalho, segundo o escritor, deveria começar com atividades simples. Uma possibilidade seria gravar a leitura de uma frase para que a criança escutasse a própria voz e percebesse eventuais dificuldades. Depois, poderiam ser usados quadrinhos, versos, letras de música, pequenas histórias e uma fábula de Esopo, até que o estudante chegasse aos livros.

Bandeira afirma que muitos alunos avançam de ano sem dominar a leitura. Com pouco vocabulário, eles podem não compreender a linguagem usada pelos professores no ensino médio e acabar abandonando a escola. Para ele, a professora responsável pela turma não consegue exercer sozinha as funções de hospital, ambulatório, enfermaria e UTI.

O escritor também rejeita a ideia de que o celular seja o principal responsável pelos problemas de aprendizagem. “A culpa não é do celular. A culpa é nossa”, afirmou. Na avaliação dele, a responsabilidade envolve principalmente a família, mas a escola precisa garantir que todos tenham acesso ao letramento completo.

Professores e a formação de leitores

A relação de Bandeira com a educação começou como estudante em Santos (SP), onde cresceu lendo gibis e livros. Mais tarde, em São Paulo, ele trabalhou como professor de literatura brasileira e portuguesa no ensino médio e em cursos pré-vestibulares.

A carreira de escritor começou em 1983, com a publicação de “O dinossauro que fazia au-au”. Antes disso, a leitura de “Reinações de Narizinho”, de Monteiro Lobato, “A Ilha do Tesouro”, de Robert Louis Stevenson, e “O Tempo e o Vento”, de Erico Verissimo, marcou diferentes fases de sua formação.

Aos 84 anos, Bandeira afirma que a escola foi um dos principais caminhos para que seus livros chegassem a milhões de leitores. Os professores adotaram suas obras e apresentaram personagens a diferentes gerações. Entre elas está a série iniciada por “A Droga da Obediência”, publicada em 1984.

Durante a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, o escritor reencontrou professores que leram seus livros quando eram estudantes e que hoje os apresentam aos próprios alunos. Ele participou da mesa “Sessão nostalgia: livros que cresceram com seus leitores”, ao lado de Thalita Rebouças, Maria Mariana e Nelson Luiz de Carvalho.

Leitura compartilhada com as famílias

Bandeira relatou experiências em que a literatura aproximou estudantes e familiares. Em uma delas, um professor enviava para casa um bilhete pedindo que mães e pais também lessem a obra adotada. Depois, promovia uma reunião para que adultos e crianças conversassem sobre o livro.

O escritor também contou que uma professora organizou, com apoio do juiz da comarca, o julgamento do vilão de “A Droga da Obediência”. Os alunos assumiram os papéis de juiz, promotor, advogado de defesa e jurados. Ao final, o defensor convenceu o tribunal, e o personagem foi inocentado.

Para Bandeira, a família deveria apresentar literatura às crianças desde o berço, com histórias, músicas e leitura compartilhada. Como isso nem sempre acontece, ele considera decisiva a atuação dos professores. “Sem o professor, eu não sou ninguém”, disse.

Em uma mensagem publicada em seu canal no YouTube, o escritor agradeceu aos educadores pela dedicação e por não desistirem. Também afirmou que continuará sendo aliado dos professores na tarefa diária de educar.

Texto produzido pela Redação Caderno do Saber com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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