CATALÃO — O advogado Michel de Lacerda Bento foi condenado a 22 anos de prisão por estelionato contra 27 clientes em Catalão, no sudeste de Goiás. A sentença também determinou o pagamento de R$ 15 mil a cada vítima, totalizando R$ 405 mil em indenizações. A decisão permite recurso, e a defesa informou que pretende apelar.
A condenação foi divulgada nesta quarta-feira (30) pelo juiz Breno Gustavo Gonçalves dos Santos. Michel foi responsabilizado pelos crimes contra 27 vítimas e absolvido em um caso. Durante o interrogatório, ele confessou os atos. O magistrado também negou ao réu o direito de recorrer em liberdade.
A defesa, representada pelo advogado Matheus Tavares Neves, afirmou que respeita a decisão e as instituições envolvidas, mas considera que há questões jurídicas a serem reavaliadas pelo Tribunal. “A defesa seguirá atuando de forma técnica, serena e responsável, confiando no regular funcionamento das instâncias judiciais”, disse.
Como funcionavam os golpes
Conforme a denúncia do Ministério Público de Goiás, Michel prometia reduzir juros e parcelas de financiamentos de imóveis e veículos. Depois de estabelecer confiança com os clientes, pedia novos pagamentos para supostas despesas processuais, como taxas judiciais, guias, perícias e depósitos em juízo.
Em alguns casos, ele orientava os clientes a interromper o pagamento das parcelas de financiamentos ou imóveis e entregar os valores diretamente a ele. A justificativa era de que o dinheiro seria depositado em contas vinculadas à Justiça.
A sentença afirma que os valores não eram destinados às finalidades informadas. Alguns processos foram extintos sem resolução do mérito por falta de providências. As vítimas perceberam os problemas quando passaram a enfrentar cobranças, ordens de despejo e risco de perda de imóveis.
Michel foi preso em julho de 2026. A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) informou que o registro profissional dele está suspenso preventivamente. O Tribunal de Ética e Disciplina (TED) da OAB-GO abriu procedimento para apurar desvio profissional.
Uma das vítimas, Adeildo Leite de Araújo, relatou que o advogado pedia que ele deixasse de pagar as prestações e, ao mesmo tempo, solicitava dinheiro para quitar parcelas atrasadas. “A gente enviava o PIX para ele. E nada foi pago”, afirmou.


